domingo, 24 de março de 2013

Solução na moda


A saudade é tanta que eu toparia te encontrar só para ter certeza que o amor morreu. Mas se ao te ver, percebesse que aquele riso frouxo que me provocavas vem à tona, o que eu faria?
O que eu faria se ao te ver meu coração louco me fizesse esquecer tudo o que me fez te abandonar e fizesse eu doidamente me aproximar demais e te tocar?
O que eu faria se ao te tocar minha pele incendiasse e eu pusesse toda a minha cautela no lixo e me jogasse no teu corpo, só para ser feliz breves momentos de novo?
Mas o que eu faria se ao levantar da cama, o teu risinho cínico me dissesse: “não me negue, você não me resiste”?
O que eu faria com os dois meses de mantras de autoafirmacão? O  que eu faria com os três meses de terapia? Seis de casa nova, cabelo novo, corpo novo? Como eu encararia o fracasso de perceber que posso mudar toda a minha vida, me tornando quase outra pessoa, mas não consigo mudar o que eu sinto por você?
Como eu encararia essa fraqueza?
Talvez olhando pelo meu prisma, você entenda o presente que eu te trouxe. Talvez se você percebesse como eu percebo a inutilidade de seguir vivendo quando sempre cairei na mesma armadilha bastando um simples sorriso teu. Talvez eu faça você entender com alguma atitude drástica esse desespero que me toma quando não consigo simplesmente mandar em mim e me sinto completa nos teus braços. 
  


Ahhh mas meu orgulho bobo precisa de uma resposta. Quem sabe teu sorriso cínico murche ao perceber que nesse lanche pós-coito, nessa reposição de energias após-recaída. Você seco, sedento, nem tenha percebido o gosto cáustico do Ades Maçã no teu copo. E quem poderá me acusar de qualquer coisa se nesse motel barato, barato como você sempre tratou meu amor, só tem isso pra beber?

fotos: internet