sábado, 16 de junho de 2012

Reposta

Ele viu em seu rosto o receio, mas sabia que ela o amava. Ele percebeu seu tremor e a força com que segurava a bolsa em frente ao corpo, mas tinha certeza que ela cederia. Mesmo que negasse, ela não tinha forças para resistir a ele. Ela não tinha escapatória, cederia. E já há muito tempo esperava por isso. Esperava que ela decidisse, que ela permitisse. Fora a mais difícil das conquistas. Quanto tempo? Um ano e quanto? Nossa, muito mais tempo do que a última que era tão carente que em menos de dois meses deixara tudo em suas mãos. Ela não. Ela era especial. Bonita, inteligente, sagaz, mas tinha cometido um erro, apaixonara-se por ele. Agora, apenas o golpe final. Tudo estava armado, mais uns minutos e ela entregaria, a chave do carro, as jóias, o dinheiro, o coração, a vida. Ela entregaria tudo que ele pedisse e ainda ofereceria mais. Ele estava louco, louco para entrar em ação de novo. Nunca demorara tanto numa conquista, mas esta era uma coroa diferente. Tinha tudo que ele gostava, inclusive beleza. Se cuidava, cheirava bem, se vestia bem. Tinha grana, muita grana. Carro do ano, jóias, muitas e valiosas, que agora estavam no cofre do hotel. Ele a tinha convencido de que precisava mostra-las naquela festa em especial. O bom é que agora ninguém acreditaria que ele a matara, conseguira convencer a todos que a amava, inclusive o imbecil do filho dela. Acreditariam em assalto, afinal para todos os efeitos ele nem estava ali naquele momento. Tinha voltado ao Brasil, e, quando chegasse procurando por ela no hotel, a encontraria morta, vítima de um assaltante nas perigosas ruas centrais de Nova York. Tudo perfeito, o plano perfeito. Em seguida, ouviram-se tiros. Ele olhou a própria arma, assustado. Não tinha feito nenhum movimento ainda, como poderia? Sentiu alguma coisa quente escorrer pelo abdômen. Olhou para a mão dela na bolsa, percebeu que ela segurava algo diferente antes. Caiu ainda meio confuso e pode ouvir - Eu nunca confiei em você Depois, só escuridão.