segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

No compasso


Deitou a cabeça cansada no peito musculoso dele. Apesar de todo o esgotamento e todo o gozo, sorriu preocupada. Não era muito dada a crenças absolutas em finais felizes ou contos de fadas, mas o relacionamento que começara como um negócio caminhava para um desfecho romântico. Era possível? Sua racionalidade dizia que não.
Invariavelmente mulheres como ela que tinham situação financeira estável, que tinham bens, que tinham... tinham... quase nunca conquistavam amor, quase nunca achavam sua alma gêmea e ela já tinha se acostumado a crueza da vida, de lhe roubar aquilo que ela mais gostaria de ter, para de uma hora para outra passar a crer firmemente nessa possibilidade.
Então quando cansara de querer dançar e não ter par, fora atrás de um, do único jeito que sabia fazer as coisas. Comprou um par para dançar. Quando o vira pela primeira vez fizera a avaliação: altura adequada, ombros, braços, músculos não muito definidos. Não que fosse importante, ela não queria exibi-lo, queria exibir-se. Mas era também bonito e parecia bem tratado.
O acordo saíra na primeira aula que fizeram juntos, não parecia realmente uma coisa de outro mundo. Ela ia busca-lo, nos dias que tivessem festas que ela gostaria de ir, o levaria de volta e ele receberia diária, além de não pagar nada que quisesse consumir.
Até que ele começara a ligar, começara a convida-la para sair sem o compromisso da dança, sem o pagamento, sem... nada além da companhia dela e da conversa. No começo, achou a atitude legal da parte dele, que fossem amigos além de pares de dança.
Um dia, muito mansamente ele começara a se impor, a elogiar, a desejar, a dizer coisas que a deixavam mexida, nervosa. Um beijo roubado, dentro do carro, e pronto, ela nunca mais seria a mesma até prova-lo por completo.
E nesse meio tempo dançar ganhara um novo significado, a fluidez dos passos, os bate-coxas sensuais, e o corpo dela completamente entregue aos floreios que ele fazia no salão. Fora num fim de dança que ele fizera a proposta e ela achou que nenhum passo de tango teria toda aquela dramaticidade, nervosismo ou sentido.
Foi a primeira vez que ficou nua na frente dele, e o olhar que recebeu em troca dessa coragem, foi completamente atordoante, o arrepio de aceitação de se sentir gostada... querida... gostosa... a provocara ao extremo. O coração calculista perdera as batidas.
Ele nem era um homem, era ainda um garoto acostumado a sair com menininhas, acostumado a corpos jovens e ela já estava acima da idade da pele firme, embora se cuidasse.
A maneira delicada e carinhosa como alcançava os lugares no corpo dela, lhe tiravam o folego. A principio, um recuo, uma timidez quase como a primeira vez. Depois, a fome a consumiu e ao mesmo tempo era diferente quase romance, quase como uma relação intensa de gostar profundo embora nenhuma palavra sobre sentimentos tivesse sido dita.
Ele conseguira acordar a libido que a muito dormia. Um toque leve no pescoço, um beijo molhado na nuca, os corpos juntos na cama e o vigor da juventude que a inebriava, era quase vinho em seu sangue, uma mistura de calor e entorpecimento. Sentia a pele pulsar e se sentia viva. Era isso que agora a preocupava. Como uma droga, ele começara a se infiltrar, e não era para ser assim, era para ser um negócio.
Era pra conseguir livrar-se dele quando quisesse, mas via-se a ligar, via-se a inseri-lo em sua vida. Queria-o sem definir exatamente como conseguiria deixa-lo ficar. Respirou fundo, acariciou o peito sob o rosto, ouviu um suspiro.
- mais? – era uma mistura de riso e convite.
- como se eu aguentasse... – mais desafio
- não aguenta, não? Vamos fazer um teste? – felicidade era isso, a disputa saudável de quem tinha, dava, queria mais prazer.
Adorou a mão que se arrastava devagar pelas coxas, subindo e marcando virilhas, barriga, cintura, e parando abaixo do seio nu. – acho que você quer mais – ele disse olhando para o bico do seio eriçado, desceu a cabeça pôs na boca a parte do corpo que pedia carinho, carícias. Ela respirou fundo, agarrava cabelos, cabeça. Arranhava.
- assim o outro vai ficar com ciúmes – ela ainda conseguiu brincar, ele parou a olhou nos olhos, meio irritado, meio enciumado. Ciúmes era bom sinal, não?
- que outro? – a pergunta feroz a fez rir mais ainda
- o outro seio – respondeu rindo
Ele sorriu e parou com as carícias
- o que foi? – ficou tensa.
- não gosto disso, não gosto de saber que sou apenas o rapaz que você paga pra sair com você. Não sou assim... – ele bufou e sentou na cama.
Talvez fosse a hora de conversar sério, talvez os dois estivessem se torturando afinal.
- você sabe que não é assim... que pode ter começado, mas agora, as coisas estão diferentes.
- quão diferentes, me diz?
Ela estava sendo pressionada, era isso, finalmente alguém tinha coragem de questiona-la sobre seus sentimentos. O que fazer, fugir como sempre fizera ou ter coragem de assumir que também sentia alguma coisa por aquele menino mais de dez anos mais novo e que ainda buscava um lugar no mundo?
- eu gosto de você é isso que você quer ouvir?
- eu não gosto de você - ele disse de uma única vez, ela quase sufocou – eu sou louco, apaixonado, você... você... ele também perdeu a fala.
Ela sorriu – não vejo problema nisso, ela o abraçou e o trouxe para a cama, continuaram a demonstrar sentimentos da forma mais eficaz.
***
Ela levantou, sorriu, era certo, era errado, o que estava fazendo afinal de contas? Um telefone começou a tocar em algum lugar do quarto. Ele ainda dormia profundamente. Atendeu.
- Você ainda está com a velha? – uma vez de mulher estridente e mandona se fez ouvir do outro lado. Ela olhou o telefone, era o dele. Desligou na mesma hora era um aviso. Estava ciente.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

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Mas não esqueça isso é apenas uma brincadeira :)