terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Outro conto!!

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso de ajuda de vcs... o livro custa apenas R$20,00... e pra comprar é só falar comigo... aki ou pelo @lentescorderosa no tuiter

Vingança

A mão que ele fazia escorregar por baixo da blusa a deixava exultante. A força com que ele comprimia o próprio corpo contra o dela na parede, fazia crer que acabariam adentrando o cimento. O som alto dentro da casa impedia que seus sussurros fossem ouvidos e como sussurravam. A respiração dele completamente descontrolada contra o seu pescoço fazia com que as pernas tremessem. E quanto mais excitada ficava, mais delírios tinha. Unhas de leve nas costas, o abraço vigoroso no tórax. Os pés em meias de seda procurando os pêlos das pernas dele por baixo da barra da calça. Pernas bambas, coração a mil. Bocas cheias de água, mãos bobas.
Espera, Eduardo! Tinha chegado a hora de parar.
O que foi? Já sei, você tem razão, vamos sair daqui. Vamos para um outro lugar.
Não. Um olhar horrorizado, encenação.
Como não, Iza? Nós... voltou a beija-la. Ela se deixou beijar, meio sem vontade, meio atiçando o desejo dele, com a língua, passando-a devagar, lentamente em seus lábios.
Loucura, Iza! Ele murmurava completamente rendido.
Tinha chegado a hora
Não, Eduardo. Toda a minha família está aí dentro, inclusive sua namorada. Como você explicaria seu sumiço?
Iza! Sussurrou agarrando-a.
Não, me solta. Eu vou entrar, fica mais um pouco aí, depois você entra. Ok?
Caminhou em direção ao banheiro aquela brincadeira também a tinha afetado, coração descontrolado, pernas tremendo. Viu Carmem sentada entre a mãe e a tia. Sorriu para a prima. Lembrou de Eduardo. Tinha-o nas mãos, ele nunca lhe negaria nada, agora, nem um pedido bem feito. Era só estalar os dedos. Qualquer dia, a qualquer hora. Ele tinha ficado no ponto certo. Aqueles sussurros eram sua certeza de que o tinha no lugar em que queria. Agora, sempre que Carmem a melindrasse, a espezinharia com aquele ar de suspiros, poderia se sentir vingada. Carmem e seu curso superior, Carmem e seu quase emprego certo. Carmem e sua responsabilidade. Mas Eduardo tinha lhe dado a certeza de que pelo menos em uma coisa ela era superior a Carmem. Quando começasse a fazer pose de “a melhor”, poderia tirar sua carta da manga. Quem conseguia descontrolar Eduardo era ela, Iza. Ouvira bem cada sussurro e os guardaria como trunfos, para as próximas disputas que teria com a prima. Pela vida inteira.

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso de ajuda de vcs...

Construa esse sonho comigo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Noite do Fico

Republicando, pra celebrar o niver!!! Leve e apaixonado hehehe


A Noite do Fico

Ela acordou com o hálito quente de um beijo no ombro. Pensou que não havia ainda descoberto uma maneira melhor de acordar. Era a maneira que ele tinha desenvolvido para as madrugadas em que estavam juntos. Não que tivessem sido muitas madrugadas, mas ele era extremamente atento ao que lhe dava prazer. Na realidade, ela também aprendera a valorizar e a descobrir o significado de cada um dos gemidos que ele emitia. Cada noite descobria-se mais. E descobria mais também.
O beijo seguia, ele sabia que ela sempre acordava no primeiro e que continuava quieta até não suportar mais de excitação, às vezes demorava, às vezes não conseguia chegar até a base das costas. Cada noite uma surpresa. E sempre parecia ser a primeira vez. Ele sempre tinha vontade de repetir de novo e de novo.
Ela conhecia de cor o trajeto que os beijos seguiriam. Primeiro o ombro, subia para o pescoço. Beijos suculentos e molhados, ora pequenas mordidas, ora beijinhos suaves. Depois o outro ombro e finalmente cada centímetro da costa, descendo em direção as nádegas, parando na cintura para uma avaliação da área. E o corpo dela arrepiando, tremendo de expectativa, como na primeira vez em que acordara daquele jeito e ele mandara que ela ficasse quieta e sentisse.
Aliás, sempre tinha sido assim. Ele a tinha ensinado a sentir. Gostava de pensar que ele tinha sido o primeiro homem de sua vida. Não que fosse verdade. Mas era. Fora ele quem trouxera aquela sensualidade para seus dias. Fora ele quem mostrara que cada parte milimétrica do corpo era capaz de despertar desejo, de dar e sentir prazer. Aquela exploração de pés, braços, cabelos, dedos, unhas. Aquele sexo completo que envolvia tudo, inclusive a alma, era ele quem tinha ensinado.
E agora ela estava ali, novamente numa madrugada com ele. Experimentando. Gostando. Querendo, mas impossibilitada de ter. Haviam tido uma conversa muito franca antes da noite começar.
- Não posso mais suportar ver você partir – ela havia dito. Já tinham acontecido muitas noites assim.
Tinham períodos de marido e mulher: mesma cama durante meses. Tinham períodos de amantes: noites maravilhosas em que ele ia embora pela manhã. Tinham períodos de amigos: semanas com apenas alguns telefonemas e noites de distância. Por que ela contava a ausência dele pelas noites?
Era de um período de amigos que eles estavam saindo, matando saudades. Ela havia pensado muito durante sua ausência. Não suportava mais paraíso e inferno, inferno e paraíso. Era como não saber viver. Estava cansada daquilo. Queria um pouco de segurança. Talvez fosse fase. Talvez TPM. Mas hoje ela decidira, queria decidir alguma coisa e seria aquilo: Ou ele ficava, ou não voltava mais. É verdade que tinha muito medo. Que nesse um mês de distância sentira saudades, mas acostumara-se a não tê-lo, precisou acostumar-se para não sofrer. E agora ele ali, mordiscando-lhe a panturrilha seguindo em direção aos pés para a massagem que ela ensinara. A massagem onde cada ponto pressionado seria capaz de enlouquecer um ser humano. Era injusto que ele estivesse fazendo aquilo e ao mesmo tempo, ela pensava, era uma despedida.
Não sabia que atitude tomar, segundo ele, estava nas mãos dela. Des-tomar uma decisão refletida e repensada era difícil, principalmente para ela. Mas lá estava ele, olhando-a como a perguntar até onde ela iria com aquela bobagem.
- Não posso decidir, quero saber o que você diz. – Ela disse e ele sorriu, um sorriso bem feliz, que a assustou. Estava bem preparada para vê-lo ir. Na realidade, tinha mais se preparado para vê-lo ir do que ficar.
Essa história de distância começou desde uma vez em que ela dissera que se acostumaria fácil a vê-lo sempre por perto e que temia isso e que era perigoso. Ele dissera que também não queria casar e que adorava sua liberdade. E essa história vinha-lhe a cabeça sempre que pensava que gostaria de vê-lo e ama-lo todos os dias, nas pequenas coisas. Ele não queria casar e era baseado justamente nisso que ela tinha se preparado para vê-lo ir, de vez.
Ele continuava sorrindo, um sorriso que ela não entendia.
- Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Diga ao povo que fico – Aí ela lembrou: ele era professor de história e nada seria tão simples, sim ou não. Tinha que haver uma surpresa.
- Sério? – ela sorria, ainda restava um certo receio que fazia seu coração disparar, ou seria a massagem que estava fazendo efeito sobre o corpo?
- Não viveria mais sem o gosto da tua pele. O som do teu riso. E, principalmente, sem as nossas madrugadas – um sorriso sacana iluminava-lhe o rosto.
Ela o puxou para si e dedicou-se a fazer o que mais gostava: provoca-lo. Até ouvi-lo dizer que ela era louca, que ela o enlouquecia. O que no fundo, no fundo, era só o que ela queria. Ouvir aquilo sempre. Todas as noites.

Márcia Cristina Lima
Março de 2001

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um conto novo e velho

É simples, quis deixar a temática dos toques, e exterminar a dos sentimentos.
Sinceramente não espero que gostem, mas leiam e reclamem bastante heheh


Obra de arte

Contemplei seu corpo nu sobre a cama. A luz fraca do abajur por trás dela fazia-a mais um lindo espectro do que uma figura real. Deitada de bruços como quem descansa de grandes emoções. Toquei devagar a pele macia das costas, marquei com o dedo o contorno da espinha, nenhum suspiro. Tentava imprimir seus traços nos meus dedos, como se depois pudesse ser capaz de transportá-la para uma tela. A textura branca da pele, a maciez da carne, o perfume delicado que invadia todo o ar.
De novo comecei minha inspeção, como que para ter certeza de que ela realmente estava em minha cama, nua, inteiramente exposta a mim. Toquei devagar a planta dos pés, subi tornozelos, panturrilha, joelhos, maravilhosos e macios joelhos. Cheirei cada centímetro de pele, ansioso para guardar em mim aquela lembrança olfativa. Coxas, quadris, costas, braços, roliços e firmes, mas sem músculos, deliciosamente femininos. Toquei devagar os cabelos e os afastei do rosto, carinhosamente, só nesse momento vi seus olhos abertos.
Tomei um assusto. Não os tinha fechado? Não tinha eu fechado-lhe os olhos para que não me olhasse?
Não me encarasse com aquele ar de horror com que todos me vêem.
Segurei agora com mais firmeza a carne de seu corpo, era uma questão de minutos aproveitar o calor que ainda restava, os olhos sem vida ainda me encaravam, me aterrorizando. Ela não tinha mais o poder de me machucar, eu tinha tirado esse poder dela. Não poderia mais me ofender, com seu ar de nojo e seu pavor no olhar.
E eu que gostara tanto dela, que tinha aceitado aquele encontro só porque ela insistira muito. Eu sabia, tinha certeza, que ela acabaria me obrigando a fazer isso. Eu odiava, mas elas insistiam, imploravam, queriam sempre me ver. Eu insistia, implorava não queria que corressem o risco, mas não. Tudo tinha sempre que ser do jeito delas e quando me olhavam com aquele ar de rejeição, de nojo, de medo. Como se vissem um monstro, uma raiva tão profunda crescia dentro de mim, que me obrigava a isso. A calá-las, subjugá-las, obrigá-las a fazer o que me prometiam nas salas de bate-papo.
E sempre as fazia cumprir suas promessas. Daqui a pouco tenho que escondê-la junto das outras. Mas só daqui a pouco, quando o corpo enrijecer de uma maneira que eu não possa mais suportar, quando ficar tão frio que me assuste o toque. Terei que cavar novamente aquele buraco no fundo do quintal e esquecer que um dia a tive. Esquecer que a amei de verdade. Mas qual minha culpa se era sempre os olhos delas que me transformavam no monstro que sou?


Márcia Lima