domingo, 30 de janeiro de 2011

Duas histórias em uma hehe

Espero que gostem, pq eu escrevi duma vez é novidade pra mim....


Desgostar – do verbo deixar de gostar de, ou do significado não gostar de...

Não, eu não gosto dele. Não gosto do jeito como ele fala, nem dos assuntos que ele aborda. Não gosto da maneira como ele cria as frases nem dos conceitos que ele tem da vida e das pessoas. Execro cada pensamento machista que externa com uma força absoluta, quase bruta. Não gosto da voz, muito menos do sorriso cínico e superior que ele ostenta. Os cabelos, então, são um horror.

Mas tem uma coisa no braço, sabe? O formato, a força, os músculos. Que, nossa! Me deixa nervosa. Não sei. Não sei que hipnotismo é esse que me dá quando ele chega em mangas de camisa e eu começo a suar frio.

É um tal de músculo que brilha e se movimenta pra um lado, músculo que brilha e se movimenta pro outro porque ele num sabe simplesmente falar, ele fala e gesticula. Além dos músculos, ainda tem a pele que os recobre que é como se fosse chocolate branco, limpa, clara e doce, quer dizer, minha boca saliva de mirar esses braços.

E isso é outra coisa que eu odeio.

Odeio como olhar pra ele me acende, como se meu corpo inteiro se eletrificasse. Odeio isso! Porque preciso de força hercúlea para manter os olhos longe e ainda por cima não agir como as outras idiotas do condomínio que abominam a banda e seus ensaios mais quando ele chega acatam suas reivindicações como se ficassem hipnotizadas por seus atributos físicos.

Não posso me dar esse luxo.

Sou a jovem síndica reeleita por três anos com absoluto sucesso, por conseguir conciliar vizinhos, por em dias as contas e principalmente, principalmente, até hoje manter a paz entre os mais diversos tipos de pessoas por metro quadrado, tudo sob controle.

E agora essa tentação em forma de músculos perfeitos e sorriso cínico quer fazer meu cérebro parar apenas por que alguns desejos incômodos do baixo ventre se intensificam de unicamente de olhar para um corpo bonito. Não, eu o odeio, odeio, odeio.

- o que você quer? – a pergunta nada educada saiu como se pusesse em palavras todos ódios escondidos.

- nada de sorriso polido pra mim? O que foi que eu fiz? – o charme desgraçado que ele deve ter ensaiado horrores de tempo junto com todos os acordes gritantes daquele barulho que ele chama de música.

- vou fazer inspeção na área da piscina, to ocupada, e sua reivindicação ainda está sendo estudada pelo conselho do condomínio. Não podemos ampliar sua permissão para ensaiar aos sábados.

-Fala a verdade, você não quer me dar permissão. Já conversei com os outros membros do conselho.

Idiota, achando que conhece meu trabalho melhor que eu! Odeio essa camisa, odeio como ela se gruda no peito, como se fosse um boyzinho a venda na esquina, odeio isso.

- entenda que essa é uma questão que precisa ser bem avaliada. Pois preciso de argumentos para convencer os outros condôminos que vocês esta no seu direito.

- se estou no meu direito é só dizer isso. Sei que você gosta de fazer parecer que nossos direitos são concessões suas mas..

- eu gosto de que...? – a indignação latente pula fora, filhinho duma grande ... - Você ficou maluco?

- é sim, você age como uma rainha dando concessões de direitos e conciliando conflitos como se pudesse mandar em todos nós....

- eu apenas faço o meu trabalho e se algumas pessoas ouvem o que eu digo é justamente porque... – pronto ele tinha vencido a batalha, não conseguia mais pensar. Estava a ponto de cometer o pior dos erros, aquilo que vinha sonhando com uma freqüência absurda nos últimos meses. A violência pura e gratuita surge quando você perde os argumentos. Meteu a mão na cara dele. O tapa foi seguido de reação ainda mais violenta... um agarrão e um encontro de bocas desesperadas .

Era isso! Enfim tinha chegado ao inferno e estava se queimando, sabia, sentia a pele inteira borbulhar como se fosse cera em fogo brando. Sentia o baixo ventre se manifestar desesperado como a um bom tempo não se manifestava.

Perdera a noção de tudo, o caminho até a piscina tinha aquele corredor onde poucas pessoas passavam naquela hora da noite, e aquela pouca luz que ela já tinha pensado em corrigir.

Sentiu as mãos brincarem em suas costas, agarrarem os cabelos como se ele também quisesse aquilo ou como se quisesse simplesmente subjugá-la ao beijo e ao corpo. As pernas tremiam e na cabeça todos os porquês tinham evaporado. Só a vontade insana de sentir aquela pele lisa de chocolate branco, sentiu quando os braços a agarraram com mais força e a pressionaram para mostrar o quanto ele estava gostando do beijo, quase como se atendessem seus desejos pois ela percebeu que se pendurava no pescoço dele como a maldita mulher que não beijava há muito tempo que era. Idiota. O pensamento a consumiu.

- o que você pensa que tá fazendo – idiota. – afinal quem era idiota? Ela, Ela era idiota, queria o corpo dele. Mas a merda era que ela não o respeitava, pelo contrario. Como podia isso?

Ele sorriu, um sorriso cínico e filho da puta de superioridade.

- Vamos lá, você fica bem melhor nesse papel. Vem cá, ele a puxou de novo, dessa vez pelo quadril e esfregou seu contentamento nela, quase em sua cintura precisaria carregá-la pra conseguirem concretizar qualquer coisa. Enlouquecera. Era isso queria, queria desesperadamente sentí-lo dentro dela. As pernas enfraqueceram, a cabeça tonteou e se nunca mais tivesse uma oportunidade como essa? A luta mortal entre o corpo e a mente não durou dois segundos. E a pele venceu. Ela o queria e pronto. Retomou a batalha dos beijos, como se eles nunca tivessem sido interrompidos.

- isso, - chegou a ouvir ele murmurar enquanto ela positivamente descobria que a pele do pescoço não era chocolate, mas muito mais saborosa e muito, muito melhor que chocolate. Quente, macia, deliciosa. Procurou desesperadamente o fecho da calça dele, e mais sentiu do que viu ele sorrir de encontro ao seio que mordiscava e lambia como se também estivesse se satisfazendo numa delícia gastronômica. Não viu e nem se preocupou em perguntar como as alças da camisa que usava tinham sido baixadas, o mais importante era a boca, sugando desesperadamente os seios e nossa, ela queria aquelas mãos em cada pedacinho de pele exposta.

Finalmente encontrou o membro, duro, salivando por ela, ouviu um gemido e uma outra força se apoderou dela, além da fome, da raiva, além do desejo, de novo, outra vez, o poder. Segurar o cetro do poder, e mostrar com gestos como gostava de ter poder sobre tudo. Sentiu ele contorce-se, gemer e por momentos também esquecer tudo. Até que a brincadeira acabou! Talvez ele não estivesse mais agüentando e precisasse mostrar que também sabia jogar bem aquele jogo de controle. Empurrou de encontro a parede, achou a barra da saia fina e a levantou de uma só vez até a cintura, enfiou a mão entre as pernas dela e sentiu o calor da necessidade que ela tinha.
Por um momento, ficaram na estimulação de guerra tocando, sentindo, ouvindo os gemidos. Quando ela não suportou mais – me dá, eu preciso – era um murmúrio uma rendição.

- seu prazer e desejo é uma ordem majestade – ele disse com o mesmo sorriso de sempre, puxou as pernas com as duas mãos e a montou sobre si. Em algum lugar dentro dela, algo explodiu como sempre achou que explodiriam as primeiras bombas de uma guerra bem perto, mexeu-se mais ainda, porque queria vê-lo rendido, mesmo que soubesse que não haveria vencedores ali. Mexeu-se nele muito rápido, porque queria uma justiça imediata. Mas ele a segurou - Não, não - era um gemido, um pedido, ele implorava - ainda não.

Foi quando ela teve certeza que mandava ali, e comandou o ritmo frenético novamente. Em questão de minutos, ele a agarrava com mais força e em seguida punha as mãos na parede como se precisasse de auxilio pra ficar de pé.

Ela escorregou pelo corpo dele, saiu de perto, arrumou a saia, disse algo sobre ainda estar pensando a respeito da ampliação do seu horário de ensaios e saiu de perto rápido batendo o salto, fugindo do local do crime. Onde tinha largado, seu respeito.

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Construa esse sonho comigo
Segurança – de cobrir todos os espaços, de não deixar nenhuma ponta solta

Tinha sido a brincadeira mais sem graça que já trocara com alguém e achava que eram amigos. Achava que todos aqueles ingressos gratuitos para shows pudessem ter feito com que o segurança do prédio fosse ter por ele uma simpatia quase amiga. E no entanto aquela noite, o segurança esperara todos entrarem na van para gritar que o corredor da piscina tinha sido iluminado quase como um sinal de que ela o odiava mais ainda agora do que antes.

Só pensar no corredor da piscina uma coisa viva dentro dele se mexia e era capaz de recordar a maciez do tecido da roupa debaixo dela, renda e cetim, ele nunca esperara por isso.

Nunca esperara mais do que um ou dois tapas, nunca esperara a força com que ela se tinha agarrado ao pescoço, nem o tufão em que ela se transformara de encontro ao corpo dele. Esperara sim, esperara que a permissão de ampliação dos horários de ensaio da banda fosse negada, porque sabia que além de odiá-lo, ela odiava a si mesma agora.

Mas era uma odiosa controladora deliciosa. De lembrar, os joelhos ficavam bambos de novo. O sorriso se manifestava, tinha sido uns momentos muito, muitos.... não, não tinha palavras para aquilo. A rapidez, a fome, ela quase conseguira ser surpreendente. Duas coisas ainda estavam vivas em sua pele depois desses dias, a marca da mão no rosto ainda ardia, ela sabia bater, e um vinco no pescoço feito pela unha que só ardera ao tomar banho frio aquela noite para parar de pensar e esquecer aqueles momentos ensandecidos.

Insanidade, ele agora era acometido da insanidade de pensar em que roupas ela usaria pra dormir, nunca tinha pensado nisso antes, nunca tinha pensando nem sequer em saber onde morava a megera menina que comandava o condomínio como se fossem seus brinquedos Lego.

Todos em geral a detestavam. Ele e a banda, recém-chegados, eram só mais alguns. Mas todos em geral tinham certeza que ninguém mais com aquela postura de “sei- o- que- estou- fazendo-não-se-meta” era melhor para controlar a todos. Dos mais irritantes idosos até as mais irritantes pestinhas a respeitavam. Ele era o único a rir daquela postura. E percebera desde o principio que tirar o poder dela era um passa-tempo divertido. Não, não fora de passa-tempo que brincaram àquela noite no corredor da piscina, até agora se perguntava o que tinha acontecido ali. Porque ainda sentia o membro enrijecer de apenas contemplar aqueles momentos.

A menção sobre luz no corredor, que a todos pareceu simplesmente maluquice do segurança, pra ele fazia todo o sentido. Nunca mais, nunca mais encontros fortuitos, ” nunca mais serei pega de surpresa por você num corredor semi-iluminado”. Ah! Como aquilo o entristecia e até o deixava saudoso. Começou a sonhar outros lugares do condomínio, talvez a escada de serviço, talvez a parte mais distante da garagem. Pois ele sabia que gostaria de encurralá-la de novo, de pensar nessa palavra, o fogo dentro dele ardeu ainda mais.

E de repente se perguntou onde ficaria a postura dela, se todos soubessem de sua capacidade de deixar um homem louco com um tapa? Se o segurança sabia, logo contaria ao porteiro e do porteiro a diante não era nada. Ficou preocupado, o que poderiam ter visto, nunca tinha parado pra pensar ou memorizar quais as áreas comuns do prédio tinha câmeras. Se eles tivessem sido observados?

A excitação aumentou, de imaginar as pessoas olhando o que eles tinham feito. Riu consigo mesmo de os funcionários a terem desmascarado. Em seguida, o riso morreu. Como ela manteria todos na linha se tivesse que lidar com a fofoca. Ela sempre tinha lidado com a fofoca. Era odiada por quase todos. E ele? O que diria? De uma hora para outra quis saber exatamente o que o segurança vira, o que o segurança adivinhara? De repente saber que aqueles momentos que eram só seus tinham sido filmados ou que tinham sido alvo de palavras alheias lhe deu ânsias. Não, era melhor que ninguém soubesse de nada. E ele ainda teria a chance de encontrá-la em outro corredor.

- fala aí amigão, tem ingressos pro show da semana que vem, ta de folga?
- olha eu até to querendo ir, mas sabe como é salário de pobre (isso era uma chantagem? Ou apenas uma observação)
- ei cara, vai com a gente, ponho teu nome na produção, nossa consumação é parte do cachê... (estava cedendo a chantagem? Ou fazendo um favor pra um conhecido?,)
- olha idéia boa. Vou pensar direito e te falo, e aí como foi ontem a noite.
- cara, muito bom, e o trabalho aí pesado, muita TV pra assistir? Muita fita pra guardar?
O segurança deu uma gargalhada gostosa – Cada coisa que a gente vê nessas câmeras – era uma afirmação, ou uma confirmação? Começava a ficar nervoso.
- ou você presta atenção e conhece todo mundo, ou não entende nada do que vê. Cada câmera uma história diferente. Olha aí no elevador dois, a dona do 307 não suporta a filha adolescente do 506, mas acho que é porque ela já viu o marido olhando indecentemente pra menina. Sabe?

Pronto logo o segurança ia começar a falar sobre ele e a síndica no corredor mal iluminado.

- Vocês guardam as gravações, não guardam?
- Guardamos sim, ali naquele armário, a Dona ...
- Felipe, ajuda aqui – ouviu-se uma voz da garagem
- Oi, dona Angélica... Oi, dona Andrea?
- ajude a senhora a levar essas compras lá em cima Felipe – pedido era quase ordem
- mas... mas dona Andrea to no monitoramento
- não se preocupe, eu fico até você voltar – o tom era um misto de gentileza e comando.

Ele ouviu a conversa, o armário já aberto, prateleira da câmera 15 tinha umas trinta fitas.

Ela entrou, ele por minuto congelou no lugar, congelou o semblante, congelou a batida do coração.

- se você está procurando a fita, eu já dei fim nas imagens. Vim devolvê-la pro lugar – ela dizia numa voz que não entregava nada, como se estive falando sobre o tempo. Retirou a fita da bolsa e posou em cima da mesa.

- você é rápida, né? Síndrome de criminosa?
- não apenas senso de preservação, de qualquer forma, não tinha nada lá com que você ou qualquer pessoa pudesse se refestelar.
- refestelar? Não, só quem pode ter prazer é você, não é?
-ou eu muito me engano ou você não ficou sem gozo aquele dia.
- e eu pensando que deveria protegê-la – disse quase num suspiro.
- não preciso que ninguém me proteja, sei exatamente o que devo e o que não devo... ele tocou os cabelos, hoje soltos, e ela calou
- eu sei que sabe, você sabe muito mais do que poderia imaginar...
- me solte,
- não to segurando você, mas se quiser posso fazer, com muito, muito prazer... – percebeu que ela tremia – você quer não é, quer que eu te pegue? Como? Devagar? – ele a puxou pelo braço depositou a bolsa em cima da mesa.
Sentiu a maciez da pele do braço dela, percebeu que ela esperava, como se com medo de fazer qualquer movimento.

- ta com medo de mim? – ele perguntou sério e levantou o rosto pra olhar, eram coisas que não tinham sido feitas da última vez, era quase como um cortejo. Olhar nos olhos, admirar, ela tinha lindos olhos castanhos, e uma boca deliciosa, que ele já sabia o gosto, mas agora descobria o formato.

- não, não tenho medo de você, acho melhor você ir, o Felipe... – as palavras morreram, ele a abraçou e corpo inteiro reagiu imediatamente. Fome. Desejo. - ... me solte – ela tremia na tentativa de manter o controle. Sempre o controle.

- a Dona Angélica não é a senhorinha idosa do prédio D, último andar? Temos uns minutos ainda... – ofegava, com o coração a mil.

- vai ser assim de novo, em minutos? – um sussurro que não parecia ela, quase macio, quase meigo, quase a menina e não a megera.

- você sabe que não temos muito tempo – mas ele via pela blusa que ela já estava excitada, viu o bico dos seios quase romperem o tecido, abriu os primeiros botões,ouviu ela ofegar, encontrou um sutiã lindo, não pediu licença abaixou a boca e roçou com a língua o tecido, viu a pele dela arrepiar e sentiu seu membro vivo em busca de satisfação.

Ela enfiou as mãos nos cabelos dele e suspirava, suspirava. Ele continuou a beijar e chupar os seios enquanto as mãos já procuravam a barra da saia jeans, sentou-a na mesa mais próxima. Enfiou-se no meio das pernas dela, numa tentativa de fazer tudo ao mesmo tempo.

Não dava, não dava pra entrar nela e chupar os seios daquela posição, e era isso que ele queria, queria estar dentro dela e não parar de brincar com a boca nos seios, puxou a cadeira mais próxima. Sentou com ela no colo, agora sim, sentiu ela em busca do seu membro, que já quase rompia o tecido sozinho. Sentiu ela brincar um pouco com as mãos enquanto se satisfazia ainda mais nos seios, segurando, e apertando um enquanto chupava e mordiscava o outro. Sentiu ela se posicionar e sentar em seu membro, e ambos gemeram juntos, apesar da velocidade com que iam, havia uma certa diferença dessa vez, como senão fosse mais um jogo de poder, mas sim de prazer, agora, os corpos já se conheciam e não pediam mais permissão aos donos eram apenas viajantes em busca de prazer.

Remexeu-se com ela na cadeira, mostrou-lhe o ritmo, e ela se contorcia, rebolava, remexia. Ele a segurava pela bunda, enquanto arremetia, ela o puxava pelas costas como se pudesse enfiá-lo em si mais do que a própria gravidade já fazia. Em mais alguns minutos, juntos, como se fosse uma conversa combinada sem palavras, gemeram alto juntos. Ela quis levantar imediatamente, mas ele não deixou, a segurou um pouco mais, e pediu. – com delicadeza por favor.
Ela ficou, um ar meio atarantado como se realmente agora voltasse a realidade, tentou levantar de novo – você precisa ir. Felipe pode chegar.

- Eu sei, eu sei

- ele acha que você me persegue, disse a ele que discutimos por causa da lâmpada do corredor da piscina.

- ele acha? Você lha dá satisfações? – parecia estranho aquilo, mas ao mesmo tempo ficou inseguro, curioso, enciumado.

- a câmera não mostra o corredor por causa da pouca luz, ele me viu saindo do corredor e veio me perguntar porque eu tinha demorado lá dentro... eu disse que você estava me alertando sobre o perigo da lâmpada e discutimos.

- ele não percebeu nada?

- não, ela abaixou a cabeça, havia algo de muito diferente nela hoje, como se tudo que ele sempre imaginara sobre ela fosse mentira, como se tudo que lhe tivessem dito sobre ela estivesse apenas mostrando uma parte da pessoa e não ela toda.

- eu posso ligar pra você? – ele se viu perguntando era uma pergunta estranha para se fazer a alguém com quem se tinha tido encontros tão íntimos.

- todos os condôminos têm meu número. –

- você sabe em qual sentido estou falando. Posso? – era estanho, ele ainda estava ali sentado na cadeira com o pau de fora, embora ela já tivesse levantado e arrumado a saia e a blusa, para ele aquele ainda era um momento íntimo. Um momento íntimo vivido dentro da central de monitoramento do condomínio. Mas era.

- o que você acha que pode acontecer? Vamos namorar ? – ela disse isso como se abominasse quem fizesse essas coisas fortuitas e mundanas como namorar.

- se quiser podemos apenas desfrutar de mais tempo numa cama. – viu ela ficar imediatamente vermelha, como ela ainda podia ficar vermelha depois de tudo? – mas outra coisa o incomodou - você não faz objeção a transar comigo, mas namorar, faz, porque?

- eu não gosto de você ela disse de chofre como se não houvesse nenhum problema nisso.

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Construa esse sonho comigo

domingo, 23 de janeiro de 2011

Só pra não morrer de tédio

Tanta coisa para fazer, tanta coisa para a aprender e eu sem respirar.
Só pra deixar claro que isso é um sopro de vida na minha imaginação e libido, lembro de quando me vingava por prazer em sonho....

A caminho

Hoje estou calma, pela primeira vez na vida. Nenhum traço daquela ânsia costumeira que acabava com o meu estômago. Não há nada mais maravilhoso do que isso. Do que ter me livrado da ansiedade. Meu estômago não é mais aquela massa borbulhante de ácidos, nem minha pele aquele monte de cacos descamando. Meus cabelos até brilham. Essa temporada aqui me fez muito bem. Estou calma, meus lábios não descascam e minha cabeça dança livre, sem preocupações. Calma como nunca estive em toda a minha vida.
Talvez seja apenas um traço de loucura, daquela loucura que o juiz não quis aceitar como defesa.

“Alguém que faz o que ela fez. Não é louca...”

Realmente nunca me achei louca, sensível talvez, estouvada e esquecida às vezes. Louca, nunca. O juiz concordou, não sou louca.

“Alguém que faz o que ela fez. Não é louca, é má”

Foi a primeira vez que gostei de ouvir alguém dizendo que eu era má. Ser mau virou, para mim, o equivalente a ter super-poderes. Eu tinha me tornado poderosa agora. Tinha conseguido acabar com a minha ânsia, com a angústia. Tinha vencido até o estômago que acabava comigo aos poucos, que sempre me trazia aquele gosto amargo de submissão à boca. Eu sou má, e pela primeira vez, fiquei feliz em ser má.
Por mais que todos tenham me condenado, minha consciência e meu corpo dizem que estou certa. Que não havia nada mais certo a ser feito do que o que eu fiz. Pela primeira vez eu estava tão certa de algo que meu estômago concordava comigo.
Nada mais pode me angustiar, por que sei qual é o futuro e não está mais em minhas mãos decidir nada. Tudo o que eu tinha para decidir, tudo o que eu tinha para falar e fazer, está feito. E, considerando o que o médico disse, muito bem feito.

“Trabalho de profissional”.

Não era de se admirar que uma instrumentadora cirúrgica soubesse onde, como e que instrumento usar para conseguir exatamente o efeito que eu queria.

Nada mais me angustia, vomitei todos os monstros depois daquela sessão. Devo ter vomitado todos os ácidos, porque meu estômago nunca mais me incomodou. Nem se contorceu, nem doeu. Nem quando o juiz disse qual era a minha sentença, nem quando comecei a comer essa podridão que eles chamam de comida. Nunca mais azia, nunca mais indigestão. Até passei a me alimentar melhor. A pele hidratada, os lábios vermelhos. Estou viva. Não por muito tempo, mas viva, feliz. Meu estômago não me controla mais.
O gosto amargo de submissão acabou. Descobri que adoro ser má. Que as minhas companheiras de cela acreditam que meu sorrisinho dia após dia, não é loucura, mas maldade. Eu sou a própria imagem do demônio-mulher. Me descobri bonita aqui, sem maquiagens, sem hidratantes. Só uma beleza vinda de dentro, da tranqüilidade. A cara de menina submissa tinha sumido, acho que a vomitei junto com os ácidos naquela tarde.
Quando o juiz disse que eu era má me senti recompensada. Me senti mais eu, ele estava falando de mim. Eu sou má. E quis gritar para todos que um dia me subestimaram: “Eu sou má. Perigosa. Que ninguém mais se meta comigo”.
Nada mais daquela menina boazinha, que na escola apanhava e nunca dizia nada. Nada mais daquela menina controlada que sempre dizia não para os namorados, mas não podia se negar para o tio, ou para os primos. Nada daquela menina que era controlada por todos naquela família. Nada daquela garota em que o marido batia e depois dizia que amava, mas que transava com a médica loura oxigenada todas as tardes. Nada, eu sou má.
E o bisturi mostrou e escreveu minha maldade em cada pedaço de pele da loura que me chamava de imbecil, mas escolheu para comer o homem que tinha casado comigo.
Brilha felicidade em meus olhos quando acordo de manhã e penso no meu estômago calmo e controlado e sinto a minha pele macia e vejo meus lábios bonitos e delicados. Me sinto má. Bela, saudável e má.
E ser má tinha sido o meu destino desde a infância, apenas não me deixaram ser. Me ensinaram: mulher se submete, mulher não faz, mulher não ama, mulher não isso, mulher não aquilo.
Mas eu fui má e marquei com maldade meu nome em cada pedaço de pele da loura que me humilhava na frente dos colegas do hospital. Mas eu não a matei. Esse pecado eu não cometi. A cara dela não é mais a mesma. Ele nunca mais vai admirá-la. Ele também não pode mais ver nada. Nem dizer que não sei isso, nem aquilo. Mas ele vai viver, por quanto tempo o corpo forte resistir e espero que seja por muito tempo.
Por que eu vou morrer daqui a alguns dias. Eles não sabiam o que faziam quando me sentenciaram àquela injeção. Eles me deixaram livre. Livre de tudo. De saber como ela vai se esconder nas ruas, com medo de falar com alguém, com medo de cometer qualquer outro adultério. Livram-me de saber como ela vai ficar louca antes dos quarenta anos, sem a beleza da qual tanto se orgulhava. Me livraram de vê-lo vegetando. Estou livre. É por isso que estou calma e tranqüila e não poderiam ter feito nada melhor por mim. Com a morte não há consciência.
E Deus não vai poder me castigar. Não mais do que já fez me dando a vida que me deu. Afinal, eu sempre fui uma boa menina. Uma boa mulher, uma boa enfermeira, e por mais que todos me condenem meu corpo me diz que eu estava certa. Meu estomago não reclama mais, e eu até estou bonita. Ao menos serei um belo corpo a ser velado.

Márcia Cristina Lima
Junho/2001