segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vício

Sem desculpas, só contos


Vício

- Oi ?
Por um minuto não soube o que fazer. Responder? Sair correndo? Sumir? Ou afundar-se no chão? As vontades invadiram sua mente covarde e seu corpo traiçoeiro não reagiu de imediato a nenhuma idéia.
- Oi – a resposta não trazia a surpresa esperada. Não demonstrava a insegurança ou a alegria por encontrá-lo, ou melhor, por ser descoberta.
- Você está aí, há quanto tempo? – ele tinha todo o direito de perguntar. Era seu bar favorito e ela sabia disso.
- Não é o que você está pensando! – sentiu-se na obrigação de defender-se imediatamente.
- Então, o que é? – Não havia confiança na voz dele, apenas uma sobrancelha levantada que indicava além do questionamento a clara certeza de estar sendo contrariado.
- Cheguei com uns amigos e...
- Onde estão eles? – interrompeu
- Pára de me interrogar. Eu não vim atrás de você! – quase gritou, raiva, frustração, orgulho. Cada sentimento brigando com mais força dentro dela para se sobressair. – Não é o que você está pensando – a voz sem querer ia ficando mais alta. – Por que eu viria atrás de você? Não temos mais nada. Só saí pra me divertir um pouco, ou o bar é exclusivo? Os pobres mortais não podem pisar aqui?
- Onde estão os seus amigos? – o tom de voz deixando bem claro que ele não ia entrar no mérito da questão sobre ela poder ou não estar naquele bar.
- Já estavam de saída. Eu vim ao banheiro – ela sabia que ele sentia a mentira da última frase.
- O banheiro das mulheres é do outro lado – parecia querer provar que ela estava fazendo o que dizia que não estava.
- Eu sei - respondeu rápido - Agora, eu sei, se corrigiu, você nunca me trouxe aqui, eu não conhecia o bar - era uma acusação e uma constatação juntas.
- você sabe o motivo – o que mais a irritava era o fato dela estar se sentindo culpada e ele posando de correto no meio do bar.
- Sei? Ok. – levantou as mãos espalmadas – não precisamos discutir isso, nunca mais precisaremos discutir mais nada mesmo. Não tem mais importância.
- Não? – a maldita cínica e sarcástica sobrancelha levantada a inflamava de raiva – Seus amigos não a estão esperando? A maneira como ele falava também a deixava furiosa, era quase um pai, pegando a filha em arte flagrante.
Quis ser indiferente - Por isso mesmo não posso conversar agora – saiu quase correndo em direção ao banheiro feminino. Queria chorar. Morrer. Que idiotice tinha sido aquela para entrar e procurá-lo? O relacionamento tinha acabado. Não tinha mais nada haver com ele. Embora uma vontade masoquista a tivesse feito aceitar o convite dos colegas de trabalho para uma esticadinha no fim de noite. Não esperava ir parar ali, mas já que estava lá, não custava nada, tentar vê-lo. Só isso, olhar para ele. Morria de saudades. Sabia de sua culpa e responsabilidade pelo fim do relacionamento. Mas o coração doía tanto. Os olhos ficaram inundados. Tentou se conter. Precisava sair inteira do banheiro, como se nada tivesse acontecido, entrar num taxi e ir pra casa, garantira aos amigos que ficaria bem, apenas queria dar sua última espiadinha nele para poder dormir em paz. Se é que algum dia conseguiria encontrar paz novamente.
- Seus amigos já foram – ouviu imediatamente ao sair do banheiro – Eu levo você pra casa, as palavras ditas como se ele estivesse fazendo um extremo sacrifício, não sei por que você insiste em sair com esse pessoal que te deixa sozinha – e lá vinha o mesmo tom de recriminação que ele usara quase sempre.
Nunca tinha aprovado os amigos dela. Nunca tinha aprovado os lugares aonde ela ia. Principalmente se ele não estava junto. Mas ela era proibida de freqüentar os lugares aonde ele ia.
- Não são lugares para moças, ele quase sempre repetia, como se ainda vivessem na idade média.
- Já sou uma mulher. Posso ir aonde bem entender...
- Não vamos discutir isso de novo. – não, não iam discutir isso de novo, nunca mais discutiriam nada referente aos lugares que freqüentavam afinal não tinham mais nada em comum, nem cobranças, nem afinidades.
- Claro que não, minha vida e os lugares que vou não são da sua conta. São?
- Não – seco, frio,
- Ótimo. Não preciso que você me leve para casa. Eu vim sozinha e vou voltar sozinha.
- Não. Eu levo você. – insuportavelmente mandão, ela tinha esquecido como odiava aquele tom autoritário. A raiva ia fluindo cada vez mais rápido pelo sangue.
- Não acredito! Vai abandonar seus amigos para me levar em casa? Quanta deferência... também sabia ser sarcástica
- Não comece. Não vou brigar. Eu vou levar você e pronto.
- Ah! Quantos anos você acha que eu tenho? Quinze?
- Eu sei exatamente quantos anos você tem. Mas já bebeu o suficiente.
Ela riu alto – sim, você não gosta que eu beba. Pois para o seu governo, eu bebo o quanto eu quiser.
- Cala a boca. Você está fazendo escândalo – ela parecia realmente irritado, o que a deixou ainda mais irada
- Escândalo? Você ainda num viu... – a mão grande e forte dele tapou a boca, o braço a agarrou pela cintura. Ele carregou a mulher que se debatia pelo bar e entrou com ela no primeiro táxi que viu.
- Você passou de todos os limites – ele a agarrou e beijou com toda a fúria que tentava conter, depois ânsia, fome e saudades superaram a raiva e o rancor – e antes que você fale qualquer coisa. Realmente não me interessa o que você veio fazer aqui. Não me interessa com quem você veio. Muito menos o quanto você bebeu... Eu tava louco de saudade.
Ela correspondeu ao beijo, jogou-se em seu peito – Eu não bebi – assumiu ainda zonza.
- Percebi... – ele continuava com a língua próximo a boca dela
- Mas eu não vim... juro.. de verdade
- Já disse que não me interessa. Vamos para casa. Eu preciso de você
- Casa?
- Sim, a minha. De onde você nunca devia ter saído...
- mas...
- Não quer ir? Os olhos dele ficaram inseguros, quase angustiados
- Mas e sexta que vem?
Ele sorriu – Temos sete dias até a próxima briga. Quero te beijar bastante e me lembrar de todos os motivos pelos quais eu fiquei feliz de você ter ido embora.
- Feliz, é? Bateu nele de brincadeira
- Por dois minutos sim. O resto do tempo eu só queria você.

Marcia Lima
29/05/08

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Novidades

Queridos,

Desculpem a demora, andei meio sem internet e meio sem ter o que dizer depois da festa que vocês fizeram do Lançamento do #ContosVermelhos.
Fiquei tão feliz que tive q sentar a cabeça. Agora, vem coisa nova legal ai e vou precisar da ajuda de todos.
Quem tem seus contos e quiser publicar vamos abrir espaço...
Quem tem fotos baseadas em contos e quiser mostrar também teremos espaço...
Preparam-se que vem novidade por aí ahhe enquanto isso um conto...não é inédito, mas será publicado pela primeira vez nesse espaço.

Noite de Liberdade

Quando os hormônios explodiram em beijos e toques, não sabiam sequer seus nomes. A escuridão da boate não permitia uma visão concreta dos rostos, apenas o explorar cego de mãos e carícias ousadas.
Um encontro incrível e puramente sexual. Como animais que eram movidos por impulsos e desejos, por hormônios e salivas. Ali não eram duas pessoas com todas as suas histórias de vida, não eram humanos com sentimentos, apenas davam vazão a sua vontade premente e única, a de tocar e ser tocado.
Havia muito de carência de ambos os lados, havia muito de desilusões e por isso a falta de diálogo era tão importante naquele primeiro momento.
Tudo deveria terminar ali, onde tinha começado, na pista de dança da boate escura, sem rostos, sem nomes, sem nada.
- vamos sair daqui? – sussurro quase inaudível
No momento em que ele expôs a pergunta, gritava nela uma certeza absoluta de ser mulher no corpo dele. Ao mesmo tempo brigava dento de si todas as milhões de recomendações ouvidas a vida inteira. Não sabia quem ele era, não sabia nada. Mas a parte que comandava ali dentro, não deveria se preocupar com isso e pela primeira vez, tomou coragem de ser mais do que seus medos.
Não viu exatamente nada, não sabia como tudo seria depois, apenas sentiu. A excitação, o desejo e o prazer, sentiu-se mais mulher naquele momento do que em todos os outros vividos até ali.
Era como sair de si mesma pra encontrar apenas o seu eu original. Parar de pensar para obedecer cegamente sua vontade maior. De ser o objeto de paixão e libertar o coração para a vida.
- vamos – a decisão estava tomada sem volta, sem desculpas.
E os anos de repressão sendo uma menina boazinha acabou num gozo histórico no primeiro motel barato perto da boate onde estavam.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

É, hoje opaaaa é, é hoje


Bom, depois de todos esses meses de lutas e batalhas... finalmente, finalmente, finalmente... o livro está pronto e chega o dito dia do lançamento. Sei que isso não seria possível sem o apoio de pessoas imprescindíveis como Taiana Silva, Ingrid Ribeiro as primeiras a comprarem a ideia de pronto.Sem todos os arrobas que compraram o livro, sem a Priscila que topou fazer as fotos.

Sei que nesse meio tempo muitas pessoas se agregaram e torceram e viram no projeto chances pra eu crescer que nem eu mesma tinha visto, né Piu Gibson?

Sei que dizer obrigada a todos vocês, e ao meu irmão que entrou com a impressão a preço de custo pra ver meu livro pronto, seria como dizer adeus. Não quero dizer "obrigada" apenas. Porque quero continuar contando com vocês para lerem para darem suas opiniões para serem meus amigos sempre e para me verem chorar essas lágrimas lá no Bar do Parque hoje à noite.

Será simplesmente lindo dividir meu quarto com vcs!!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Livro e foto de brinde

Queridos,
Pra quem tá reclamando que Agosto é o mês da falta de grana. Resolvemos fazer um agrado aos nossos seguidores. Eu e @sallespris vamos dar de presente um livro e uma foto autografados. Isso mesmo vamos dar de presente. O sorteio será na véspera do lançamento (dia 05 de Set) e o ganhador vai buscar seu prêmio no lançamento, além de poder escolher a foto.
Para ganhar é muito simples, basta dar RT na seguinte frase: Eu quero autógrafos de @sallespris e @lentescorderosa. http://kingo.to/Lw2

Boa Sorte!!

Para quem não quer contar com a sorte, o livro custa R$ 20,00 na pré-venda, e podem ser comprados com Priscila na loja Éguadecamiseta na Estação das Docas. Ou fazer depósito bancário. (Mas atenção! Quem fizer depósito deve informar para o e-mail marcialimajor@gmail.com ou para o tuiter @lentescorderosa.)

Banpará (037)
Ag. 24
CC 0282931-2

Vamos colaborar com o sonho das artistas e ver nascer o primeiro livro da jornalista Marcia Lima, e a primeira exposição fotográfica de Priscila Salles.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Falta pouco, muito pouco

No próximo dia 6/9, dia do sexo, lançamos o livro Contos Vermelhos da @lentescorderosa. No lançamento teremos ainda uma exposição fotográfica com cliques da @sallespris (Priscila Sales) esta também será a primeira exposição dela.
O livro vai conter oito contos que já estão postados neste blog, e outros sete inéditos. A exposição terá 15 fotos baseadas nos contos.
O evento será no Bar do Parque, na Praça da República.
Mas pra essa festa toda realmente acontecer, ainda falta vender pelo menos 30 livros.
Estou muito feliz com a adesão dos amigos que já garantiram a venda de mais de cem livros.
E com a constante solicitação de pedidos daqueles que ainda não compraram. Quero lembra-los que depois do lançamento provavelmente, o livro deverá ficar mais caro.
Aqueles que preferirem fazer deposito bancário, apenas avisem, infelizmente só tenho conta no banpará então aí vai a conta.

Contribuam, compareçam, venha ver se realizar o primeiro projeto colaborativo da TL Paraense.

Banpará (037)
CC 0282931-2
Ag. 024

Qualquer coisa entre em contato comigo, pelo e-mail marcialimajor@gmail.com ou pelo tuiter @lentescorderosa

Caso faça deposito bancário por favor, não esqueça de passar o comprovovante para o meu e-mail...

terça-feira, 26 de julho de 2011

O novo Nome

Genteeeeee,
Saiu, desculpa a demora... Mas finalmente vou divulgar o novo nome do livro. A última votação deu 54,24% para "Os Contos Vermelhos da @lentescorderosa", em seguida ficou o "Os Sensuais e Outros Contos" - confesso, meu favorito - mas, sim, esse é um projeto colaborativo e a opinião de vcs é a que vale.
Obrigada pela escolha, estamos produzindo as capas para a nova eleição.
Continue lendo e retuitando vamos colaborar na campanha para me tornar uma escritora hehhe Ainda preciso vender cerca de 50 livros pra dar andamento a parte final do projeto. O livro custa R$20,00 o exemplar.
Obrigada pela ajuda, abaixo lado vc vê alguns dos amigos do tuiter que já adquiriram seu vale livro e esperam ansiosamente pelo dia 06/09.
Ah se vc tiver um vale livro e sua foto não aparecer aí, mande pra mim, que a gente faz um novo filme.



Grata

sábado, 2 de julho de 2011

Começou!!

Últimas horas de votação. Não perca a chance de dar sua opinião e vê-la imprensa na capa do livro. A eleição termina amanhã 10/07 à meia noite, ou 00:01 de segunda-feira só pra ficar claro hehehe

Vote aqui em qual nome o projeto de livro colaborativo deve ter


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dando Satisfações




Queridos,

O projeto do livro Os Sensuais e Outros Contos ganhou asas e saiu de minhas mãos, ganhou adeptos e hoje somos tantos trabalhando nele que quero aumentar mais o bolo. Quase 100 pessoas já compraram os livros, e estou com mais de 150 encomendados esperando confirmação. Isso alegra meu coração de uma maneira que vocês nem imaginam.
Mas agora queremos mais que dinheiro, queremos o mais importante para quem freqüenta as redes sociais. Queremos a sua opinião.
Como o livro vai demorar mais do que eu previ a principio por causa de questões burocráticas. (O lançamento do livro vai ficar apenas para setembro, 06/09, no dia do Sexo. Consideramos uma data apropriada) Temos tempo de saber com vocês e fazer vocês escolherem nome e capa do livro. Afinal isso aqui é um projeto colaborativo então vamos colaborar, votem nas opções de nome do livro. Como isso é um processo democrático preciso da participação de vocês.
Assim que o hot site ficar pronto, começa também a votação da capa do livro. Para isso temos que esperar a Priscila Salles fazer as outras fotos que devem compor a exposição fotográfica que vai acompanhar o lançamento do livro. As fotos serão baseadas nos contos. Uma foto para cada conto. Duas delas já podem ser vistas no flick da artista. http://www.flickr.com/photos/prissalles
Contamos com a sua ajuda, para decidir sobre esses “detalhes”

1 – Os Sensuais e Outros Contos
2 – A Noite do Fico e Outros Contos
3 – Sob o calor dos trópicos e Outros Contos

terça-feira, 31 de maio de 2011

Faltam 29 Dias

É, aos 29 do segundo tempo meu coração ta mão, na garganta, querendo sair do peito e eu to quase o coelho da Alice, "não vai dar tempo", "não vai dar tempo", "não vai dar..."
Mas vai sim.
Principalmente porque somos mais de cem pessoas juntas, nesse projeto e todas ansiosas para ter este livro em mãos e poder comemorar comigo essa vitória. Aos poucos ele começa a tomar forma e espero contar com todos na festa de Lançamento no dia 28 de Junho às 19h no Sesc Boulevard.
Como vocês sabem minha amiga Priscila Sales também vai estreiar como fotografa. Com a primeira exposição de fotos baseada nos contos do livro.
Estamos na fase do financiamento então aqueles que solicitaram livros precisam agora ajudar de verdade metendo a mão no bolso, pra gente poder bancar os livros e a festa.
Os meios de pagamento são: em mãos, tratar comigo pelo @lentescorderosa no tuiter, ou pelo e-mail marcialimajor@gmail.com
ou deposito bancário
Banpará (037)
CC 0282931-2
Ag. 024

Como ficar melhor, em mãos vc ganha um vale livro que tb vale como convite.
Deposito eu preciso que vc confirme para eu saber q vc pagou, mande escan do comprovante de deposito para o meu e-mail.

Contamos com todos o livro ta ficando lindo e as fotos....nossa de tirar o folego...

Estamos chegando ao nosso objetivo, vem com a gente. Vem!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Agora falta muito pouco

Na última segunda-feira entrei numa fria, e puxei para congelarem comigo @sallespris e @taianinha. Precisamos da sua ajuda.
A campanha faça de mim uma escritora séria, está na sua reta final e faltam menos de 33 exemplares para que este blog vire um livro de contos, meu primeiro livro na verdade.
O livro terá dez contos, sete deles já publicados nesse blog e três inéditos.
No começo disso tudo a minha amiga Taiana, pensou num lançamento com cantores como Juliana Sinimbu, Arthur Spindola e Trupe Realejo e aí eu fui obrigada a aumentar a cota de livros para vender antecipadamente.
Mas isso ainda era pouco e puxamos Priscilla Salles para também fazer sua primeira exposição fotografica com fotos baseadas nos contos do livro.
Então quando você nos ajuda vc ganha um livro, uma exposição fotografica e ainda vai curtir músicos de primeira linha ah é claro faz de mim, da Priscilla e da Taiana pessoas muito, muito felizes por poder partilhar esses momentos com vocês, segue a baixo a lista de quem já é parceiro neste campanha.
Caso tenha interesse em colaborar conosco, vc pode entrar em contato comigo pelo tuiter @lentescorderosa, ou e-mail marcialimajor@gmail.com

Venha falta bem pouco agora.

Parceiros:
1.@simoneromero / 2.Patricia Merces / 3.Zilene SantaBrigida / 4.@anajuliaPT13 / 5.@sta_Meirelles / 6.@vladcomv / 7.@Riingrid / 8.@taianinha / 9.@utidenis / 10.@caroline_santos / 11.@tantotupiassu / 12.@josiemota /13.@paulinareis20 / 14.@funcional / 15.@beto_persi / 16.@blogkatia / 17.@socel10 / 18.@leilalizandra / 19.@_thiagorosa_ / 20.@speciallgrill / 21.@fra_miranda / 22.@flavio_ssbv / 23.@rosijatene / 24.@MirrelleNobre /25.@sallespris / 26.@heliocadeth / 27.@maickw / 28.@macielrosana / 29.@vilansama / 30.@tweetesdacacau / 31.@edsoncd / 32.Rodrigo Maia / 33.Fernando Diniz / 34.Maria Mauricia / 35.Maximo Pinheiro / 36.Ieda Ferreira / 37.Aline Monteiro / 38.Herlan Ferreira / 39.Hamilton Pinheiro / 40. Danielle Ferreira /41.Cleyton Raiol / 42.Rosana Rodrigues / 43.@IsmaelNeto / 44.@_Mar_b / 45.@realizador / 46.@rhmbraga / 47.@bre_malheiro

Novos apoiadores 17.05.11 - 48.@arthurnogueira/ 49.makiko_kio / 50.Subte-Subte / 51.@nayara_beltrao / 52.@Ah_cereja / 53.@donadica / 54.@valerialima_ / 55. @_fabiomedeiros_ / 56.@espacomonica / 57.@ayresmarcus / 58.@klebersfarias / 59.ritamcsoares / 60.crodia / 61.José vieira / 62.Heloisa Hun / 63.@tony_leão / 64.@johkotinho

Novos apoiadores 18.05.11 - 65.@rodolfomarques / 66.markitopls / 67. Danielle Ferreira / 68.@luizalex / 69.@fabriciorocha / 70. Perla Merces / 71.@alexandrebaena / 72. rodolfosetubal / 73.Silvia Gonsalves / 74. Thais /75. @acaigrosso / 76.@cezarmoraes

terça-feira, 17 de maio de 2011

Três iniciantes numa viagem eventual

Eu, Marcia Lima (vulgo @lentescorderosa), escritora iniciante; Priscila Salles (@sallespris), fotógrafa iniciante e Taiana (@taianinha), produtora iniciante. Essas três iniciantes planejam o evento de suas vidas, aquele que vai fazer com que o mundo saiba quem são hahahhaha MENTIRA, vamos fazer a alegria dos amigos que sempre quiseram ter uma parte da nossa arte com eles.
Meu primeiro livro: Os Sensuais e Outros Contos, terá 10 contos, 07 deles já estão a disposição neste blog e mais três inéditos. Os livros estão sendo pré-vendidos à R$20. A idéia inicial era vender 150 livros e conseguir pagar a primeira parte da tiragem para a gráfica e ainda fazer um lançamento.
Como um amigo me disse outro dia, uma imagem vale mais que mil palavras, então para deixar o meu leitor ainda mais atiçado pelos contos e para lançar a minha amiga fotógrafa, teremos também no mesmo dia, a primeira exposição de Priscilla Salles, que fará dez fotos baseadas nos contos que estão no livro.
Ah mas não é apenas isso, teremos ainda um sarau com música e poesia com as participações especialíssimas de @julianasinimbu, @arthurespindola e da @truperealejo. Além dos músicos teremos também poetas declamando seus versos no intervalo das apresentações.
Para que tudo isso seja feito com calma e que tenhamos um evento digno de nosso público adiamos a data do lançamento. Agora será no dia 21 de Junho.
Continuamos com a campanha para alcançar a meta de 150 livros. Faltam ainda 45 exemplares a serem vendidos. Vamos divulgar gente. A lista de contagem está no post abaixo se seu nome não está e você já me fez um pedido, perdoe-me, não ando bem da cachola, brigue comigo e me diga novamente sobre o seu interesse, os contos também devem ser lidos e depois não digam que não avisei de seu conteúdo hehhehe
Obrigada

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dando Satisfações

Gente,
16/05 foi um dia incrível, nunca esperei uma aceitação tão grande por parte dos meus amigos e conhecidos que gostam e confiam no meu trabalho. O que começou com uma campanha apenas para imprimir uns livros virou uma campanha para o lançamento de uma obra quase coletiva, pois todo mundo contribuiu com alguma idéia e até com palavras de incentivo.
E agora eu não preciso vender apenas 100 livros (eu já achava um número absurdo antes) Mas preciso vender 150 heheh para que possamos fazer um coquetel de lançamento, com cantores como Juliana Sinimbu e o a Trupe Realejo que já se ofereceram para animar a festa, agora eu preciso procurar um espaço para receber os amigos e autografar, gente, eu vou autografar livros hehehe. Só vcs mesmo.
A campanha que começou meio de brincadeira por volta de meio dia, chegou ao seu auge no meio da tarde, quando pessoas que me são muito caras embarcaram nela, solicitando de 2 a até 10 livros.
Definimos a data de lançamento 11 de junho por ser véspera do dia dos namorados e como os contos são contos sensuais, o livro acaba sendo uma boa opção de presente.
Então falta pouco agora temos 111 exemplares encomendados, falta vender 39 livros, agora. Então vou publicar aqui todos que estão na luta comigo que no dia 11/06 poderão lá, na noite de autógrafos, me ver chorar de alegria e emoção.
Vocês não imaginam o que acontece dentro da gente que escreve quando percebe que muitas pessoas admiram seu trabalho. Então vou publicar o nome dos incríveis apoiadores dessa jornada.

1.@simoneromero / 2.Patricia Merces / 3.Zilene SantaBrigida / 4.@anajuliaPT13 / 5.@sta_Meirelles / 6.@vladcomv / 7.@Riingrid / 8.@taianinha / 9.@utidenis / 10.@caroline_santos / 11.@tantotupiassu / 12.@josiemota /13.@paulinareis20 / 14.@funcional / 15.@beto_persi / 16.@blogkatia / 17.@socel10 / 18.@leilalizandra / 19.@_thiagorosa_ / 20.@speciallgrill / 21.@fra_miranda / 22.@flavio_ssbv / 23.@rosijatene / 24.@MirrelleNobre /25.@sallespris / 26.@heliocadeth / 27.@maicow / 28.@macielrosana / 29.@vilansama / 30.@tweetesdacacau / 31.@edsoncd / 32.Rodrigo Maia / 33.Fernando Diniz / 34.Maria Mauricia / 35.Maximo Pinheiro / 36.Ieda Ferreira / 37.Aline Monteiro / 38.Herlan Ferreira / 39.Hamilton Pinheiro / 40. Danielle Ferreira /41.Cleyton Raiol / 42.Rosana Rodrigues / 43.@IsmaelNeto / 44.@_Mar_b / 45.@realizador / 46.@rhmbraga / 47.@bre_malheiro

Novos apoiadores 17.05.11 - 48.@arthurnogueira/ 49.makiko_kio / 50.Subte-Subte / 51.@nayara_beltrao / 52.@Ah_cereja / 53.@donadica / 54.@valerialima_ / 55. @_fabiomedeiros_ / 56.@espacomonica / 57.@ayresmarcus / 58.@klebersfarias / 59.ritamcsoares / 60.crodia / 61.José vieira / 62.Heloisa Hun / 63.@tony_leão / 64.@johkotinho

Novos apoiadores 18.05.11 - 65.@rodolfomarques / 66.markitopls / 67. Danielle Ferreira / 68.@luizalex / 69.@fabriciorocha

Se seu nome num tá nessa lista e vc quer me ajudar é só entrar em contato com @lentescorderosa pelo tuiter ou pelo e-mail marcialimajor@gmail.com
Estamos às ordens, apenas lembrando que o dinheiro deve ser todo arrecado até o dia 2 de junho.

Por livros

Estou começando uma campanha para transformar meus contos deste blog em livros.
Os livros custarão R$20,00 e preciso de pelo menos 100 para negociar a impressão com a gráfica, caso vc tenha interesse entre contato com o blog
ou pelo @lentescorderosa
ou pelo e-mail, marcialimajor@gmail.com

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brincadeira de mau gosto

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso da ajuda de vcs... compre um livro ao valor de R$20,00

Construa esse sonho comigo



Reconhecimento

Quando o hálito esquentou o bico do seio teve certeza que nunca mais acharia violência uma tortura maior que aquilo. Todos os pelos do corpo, pelos em lugares que ela nem imaginava que tinha, se eriçaram. Mas não sairia perdendo da brincadeira. A aposta era quem resistia mais tempo sem implorar pela misericórdia do amor completo. Afinal a velocidade com que ele costumava acabar os encontros a tinha tirado do sério.
E agora, por sua imposição ele tinha descoberto brincadeiras de não-toque que por muito pouco não a estavam fazendo gritar. Era a primeira vez que se permitiam um tempo de exploração quase reverencial. Beijos molhados na nuca, mãos leves na pele das costas, unhas roçadas na parte detrás dos joelhos. Sentir tudo isso era bom, curtir, aproveitar, desfrutar milimetricamente era incrível.
Começava a achar que ia explodir, ia explodir pele, cabelo, sangue e semem por todos os cantos daquele quarto escuro. Uma parte de si, já tinha ido ao paraíso e voltado, outra mantinha uma pose que não era própria dela. Ela, que simplesmente largava a roupa no caminho do quarto, sem se importar com as artimanhas feministas de mostra e esconde. Ela que empurrava determinada, mordia e beijava no comando dos desejos. Estava hoje muda, com a respiração quase suspensa,o coração e o ventre no maior rebuliço.
Era pra quem mesmo aquele desafio?
Era sobre o que?
As pernas tremiam, o corpo implorava um preenchimento completo quando o hálito soprou o umbigo e os dentes encontraram a barriga, numa vagareza que nem milhões de anos ela teria acreditado possível. Parte de si derretia-se em líquidos, suava com o esforço de se conter e mergulhava no desejo expectante. Pronta, louca...
Começou a morder a ponta do travesseiro quando sentiu o hálito chegar as coxas, desistiu quando a língua provou o gostou dela.
- pelo amor de deus – um sussurro quase miado, quase espremido
Ele sorriu
- você não pediu? Eu to só começando! ainda disse antes de brincar com o corpo dela, como se o desafio tivesse sido apenas um pretexto para que ele pudesse mostrar todas as suas técnicas de tortura.
E quanto mais ela se remexia, se contorcia, pedia e implorava mais ele sugava, lambia, e brincava com ela e a segurava de uma forma que a impedia de fazer o que mais gostava que era comandar o ritmo dos acontecimentos entre eles. Soube que era sim possível um segundo orgasmo antes de mesmo da primeira penetração. Não se conteve mais e o grito foi ouvido longe.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pausa

Desculpem a demora, vo pausar um pouco,
Parei a poesia pra viver outra fantasia
Conheçam o @plugado
o héroi de a vida em 140 caracteres.
www.avidaem140caracteres.blogspot.com

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mambo

O que você acha que acontece com os corpos que se roçam ao dançar um mambo?
Um mambo crioulo?
Nesse conto tudo pode acontecer.

Prometo mais pimenta no próximo, (Meu Deus, to prometendo pimenta há algumas semanas, juro q vai rolar hehe)

Mambo

Ele estava num desses bares de subúrbio. Num desses onde o banheiro das senhoras é imprestável e o dos homens, só o lugar.
Hipnotizado.
Num canto do salão uma moça, com roupas esvoaçantes, dançava um mambo. Não desses mambos que se ouvem em filmes americanos, mas um mambo bem paraense. Bem Maria Lídia. Desses mambos que apesar de pedirem par, ela dançava só. Não sabia dizer se ela estava bêbada. Não, provavelmente era uma embriagues causada pela música. Ela: de olhos fechados remexendo os quadris, com os braços acima do corpo, sozinha num canto do salão, como se não se importasse de estar só, desde que pudesse ouvir a música.
“Mexe e remexe a cintura na saia”
Os cabelos acompanhavam a música
“Eu, danço mambo crioulo. Canto dentro do mambo, cabelo no grampo, saião de rodar”.
Era som de batuque, misturado com maracas e saxofone.
A voz forte de mulher reverberava pelo salão.
Ele estava de férias, visitando o norte do Brasil, olhando a população local, mas ela não merecia atenção, não mais do que as dançarinas seminuas no palco. No entanto, ao fazer a tradicional varredura no ambiente a encontrara, num canto, dançando. Estava hipnotizado pela expressão de puro prazer em seu rosto. Teve vontade de tocá-la. Gostaria de saber como ela se comportaria numa cama. No mesmo momento sentiu o desejo pulsar entre as pernas.
O que era aquilo?
Nunca se sentira assim, só de olhar alguém ao longe. O que ela tinha?
De repente, como se ela tivesse sentido o olhar de alguém, parou de dançar. A magia acabou. Ela não passava de uma criatura normal. Com roupas normais. Mas sorriu e seu sorriso o chamou para perto.
- Me ensina a dançar?
Ela sorriu mais e respondeu que não entendia.
Só então ele percebeu que tinha falado em inglês. Caçou em sua memória as palavras em português que aprendera naquela tarde. E repetiu com gestos:
- Eu quero aprender a dançar – e continuo sorrindo.
Ela meio que sem entender, tentou explicar. Também não sabia, afinal, se soubesse estaria no salão e não num canto.
- Como não sabe?
Sem entender ela pediu desculpas e tentou sair.
Ficou desolado. Tudo bem que ela não quisesse dançar com ele, mas agora tinha perdido até a visão de seu rebolado e era um rebolado tão natural e sem pretensões de ser instigante que por isso mesmo era muito mais excitante do que o do palco.
Ele voltou pro seu lugar e a procurou. A viu em outro canto. Ouvindo e bebendo algo. Percebeu quando ela o viu. Percebeu e ficou nervoso quando ela voltou.
- Não sou prostituta - disse de cara. Isso ele conseguiu entender talvez pelo olhar severo dela.
- Ok. – ele realmente nem sabia o que dizer, se era justamente aquilo que gostaria de ter.
- Podemos dançar. Mas não sei ensinar. Vai ter que me seguir...
- Por favor, fale devagar – ele pediu. Seu conhecimento de português ainda era limitado.
E aproximou-se do corpo dele. Encostou-se nele.
Ele sentiu que mais um pouco não conseguiria conter seus impulsos. Mas teve a prova de que era um homem com domínio de seus atos quando ela começou a rebolar com a música bem próximo dele.
Disse algo baixinho que ele teve que adivinhar:
- Sinta a música, se não você não vai saber como sair do lugar.
De repente ele estava dando os primeiros passos. Não sabia se tinha aprendido, se só seguia o ritmo dela. E adoraria continuar a faze-lo pelo resto da noite: seguir o ritmo rebolante dela.
Pensou em porque ela teria dito que não era prostituta. Talvez soubesse que turistas só querem sexo. Olhou seu rosto, era um rosto bonito, sorrindo a dançar. Até que ela sorriu para ele. E ele teve ímpetos de agarrá-la e beijá-la, mas ela não era prostituta. Para aliviar a vontade quis perguntar se estava acertando, mas acabou calando-se não queria parar de olhá-la.
Hipnotizado.
O que ela queria se não era prostituta? Romance? Romance, sim. Ela queria romance. Teve certeza. Ela parecia do tipo que gostava de romance. Um romance com um estrangeiro que iria logo embora, sem compromisso. Só romance. De repente esse pensamento lhe deu raiva. Será que ela estava acostumada a ter romances com estrangeiros?
Parou de dançar. E ficou olhando. A viu rir e continuar:
- Não é complicado. Não desista – ela insistia. Já parecia bem a vontade na missão de ensiná-lo.
Ficou assustado com o que sentia, achava estranho que de uma hora para outra começasse a pensar nela com as roupas usadas em sua terra. Naquele lugar frio para onde teria que voltar. Ela aproximou-se mais, roçava o corpo no corpo dele. E tentava mostrar como seria se mover daquela maneira.
- Eu não sou prostituta - ele lembrava e, no entanto, estava ali: instigando-o, fazendo com que ele quisesse e quase enlouquecesse de vontade de tocá-la, abraçá-la, agarrá-la. Queria leva-la para cama e vê-la gritar de prazer, queria saber se o rosto dela ao gozar conseguia ser mais belo do que dançando.
Aproximou-se para beijá-la. E seus corpos se encaixaram.


Sempre ouvira falar em pessoas que se apaixonavam em viagens desse tipo. Mas nunca pensou que pudesse acontecer com ele. Agora estava perdido. Olhava-a dormir. Não queria ir embora, mas o dia da partida se aproximava. Queria leva-la, mas não podia imagina-la em sua terra, em meio a sua gente: tão diferente, tão menos calorosa. Teve medo do que aconteceria a ela por lá. Enquanto isso ela dormia. Achava que estava amando. E que era a primeira vez que isso acontecia. Porque tudo e qualquer coisa agora só seria importante se ela sorrisse daquela maneira. Se ela fosse feliz.
É, nunca pensara que pudesse acontecer com ele. Mas acontecera, fora tomado duma necessidade de ficar, que era maior do que suas forças. E riu ao lembrar de uma música que em Belém sempre se canta: “Chegou ao Pará, parou. Tomou açaí, ficou”. É, ele tinha conhecido uma certa Jussara, que o tinha feito ficar.

sábado, 5 de março de 2011

Novidade, nem tão nova assim!!

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso da ajuda de vcs... compre um livro ao valor de R$20,00

Construa esse sonho comigo

Relato

Foi só quando a vi naquele estado que me dei conta de que tinha ido longe demais.
Os olhos marejados, mas duros. As narinas naquele movimento que denuncia raiva. Raiva? Não, ódio.
Um ódio que tomava todo o ambiente, o ódio preenchia o ar. Eu até podia senti-lo. Todo o ódio que um coração poderia produzir. Ali me agredindo. O silêncio mais do que qualquer palavra.
O olhar de raiva e de dor mais do que um soco ou uma bofetada. Os ombros subindo e descendo, numa respiração forçada que movimentava os seios e me hipnotizava.
Aquela expressão me atormentou tanto que fiquei sem ação. Não estava acostumado aquilo. Pensei em desculpas. Mas não, não poderia. Tinha ido longe demais. Eu a tinha ferido. Um caminho sem volta.
Como a distância entre nós era de apenas dois passos, puxei-a em minha direção, sem nenhum constrangimento. Era a minha necessidade de me desculpar. De pedir perdão. Beijei, beijei. Agarrei-a com força.
Foi quando percebi a razão do nosso ódio, da nossa briga, da nossa raiva. De todo a nossa implicância, estava ali: DESEJO!
Uma boca mais que esfomeada comia a minha. O homem desconhecido no qual me tornei agarrava, tocava, explorava quase que desesperadamente a mulher que até aquele instante eu respeitara.
De uma hora para outra, ela deixou de ser minha madrasta, esqueci o motivo da nossa briga e ao que me consta ela nem esperava e nem queria que eu lembrasse. Era uma mulher sedenta, desejosa de sexo. E era o que descaradamente fazíamos às quatro da tarde no chão da cozinha.
Eu nunca estivera tão desesperado para preencher uma mulher como naquele momento. Eu nunca estivera tão agoniado para dar prazer e sufocar meu desejo como naquele instante.
E uma vez atingido o ápice! Não foi o suficiente, e duas também não foram. Eu queria mais, queria mata-la de prazer. Senti que não conseguiria soltá-la e me desesperei. De repente ela começou a falar em cama. O chão era frio.
Só então me dei conta de que aquela vagabunda deliciosa embaixo de mim era mulher do meu pai.
Mas eu não conseguiria ficar longe dela. Mas também não a queria e mesmo que quisesse meu pai não suportaria outra perda. Minha mãe e minha irmã morreram juntas num acidente de carro há dois anos e o velho nunca se recuperou.
Eu a olhei, meu desejo não morria, e a julgar por seus olhos ela também queria mais. Minhas mãos criaram vida própria e dali a minutos estávamos no mais selvagem ato sexual que já pratiquei na vida.
O desespero se abateu sobre mim, não poderia tê-la, não poderia me afastar. Não conseguiria magoar meu pai.
E antes que ela chegasse a outro orgasmo e em seguida risse do meu desespero.
Minhas mãos se fecharam em torno de seu pescoço e ...

Estou hoje aqui, contando isso pro senhor e pedindo que me prendam e parem de perturbar meu pai com essa história.

O homem do outro lado da mesa atormentado com o relato, não sabia o que fazer. Entre prender aquele louco com a sua história fantástica, mas bem possível e continuar as investigações e se ver num mato sem cachorro quando seu faro policial comprovasse estar certo e ele tivesse que provar que o empresário mais bem sucedido do Estado tinha matado a própria esposa.

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Outro conto!!

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso de ajuda de vcs... o livro custa apenas R$20,00... e pra comprar é só falar comigo... aki ou pelo @lentescorderosa no tuiter

Vingança

A mão que ele fazia escorregar por baixo da blusa a deixava exultante. A força com que ele comprimia o próprio corpo contra o dela na parede, fazia crer que acabariam adentrando o cimento. O som alto dentro da casa impedia que seus sussurros fossem ouvidos e como sussurravam. A respiração dele completamente descontrolada contra o seu pescoço fazia com que as pernas tremessem. E quanto mais excitada ficava, mais delírios tinha. Unhas de leve nas costas, o abraço vigoroso no tórax. Os pés em meias de seda procurando os pêlos das pernas dele por baixo da barra da calça. Pernas bambas, coração a mil. Bocas cheias de água, mãos bobas.
Espera, Eduardo! Tinha chegado a hora de parar.
O que foi? Já sei, você tem razão, vamos sair daqui. Vamos para um outro lugar.
Não. Um olhar horrorizado, encenação.
Como não, Iza? Nós... voltou a beija-la. Ela se deixou beijar, meio sem vontade, meio atiçando o desejo dele, com a língua, passando-a devagar, lentamente em seus lábios.
Loucura, Iza! Ele murmurava completamente rendido.
Tinha chegado a hora
Não, Eduardo. Toda a minha família está aí dentro, inclusive sua namorada. Como você explicaria seu sumiço?
Iza! Sussurrou agarrando-a.
Não, me solta. Eu vou entrar, fica mais um pouco aí, depois você entra. Ok?
Caminhou em direção ao banheiro aquela brincadeira também a tinha afetado, coração descontrolado, pernas tremendo. Viu Carmem sentada entre a mãe e a tia. Sorriu para a prima. Lembrou de Eduardo. Tinha-o nas mãos, ele nunca lhe negaria nada, agora, nem um pedido bem feito. Era só estalar os dedos. Qualquer dia, a qualquer hora. Ele tinha ficado no ponto certo. Aqueles sussurros eram sua certeza de que o tinha no lugar em que queria. Agora, sempre que Carmem a melindrasse, a espezinharia com aquele ar de suspiros, poderia se sentir vingada. Carmem e seu curso superior, Carmem e seu quase emprego certo. Carmem e sua responsabilidade. Mas Eduardo tinha lhe dado a certeza de que pelo menos em uma coisa ela era superior a Carmem. Quando começasse a fazer pose de “a melhor”, poderia tirar sua carta da manga. Quem conseguia descontrolar Eduardo era ela, Iza. Ouvira bem cada sussurro e os guardaria como trunfos, para as próximas disputas que teria com a prima. Pela vida inteira.

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Construa esse sonho comigo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Noite do Fico

Republicando, pra celebrar o niver!!! Leve e apaixonado hehehe


A Noite do Fico

Ela acordou com o hálito quente de um beijo no ombro. Pensou que não havia ainda descoberto uma maneira melhor de acordar. Era a maneira que ele tinha desenvolvido para as madrugadas em que estavam juntos. Não que tivessem sido muitas madrugadas, mas ele era extremamente atento ao que lhe dava prazer. Na realidade, ela também aprendera a valorizar e a descobrir o significado de cada um dos gemidos que ele emitia. Cada noite descobria-se mais. E descobria mais também.
O beijo seguia, ele sabia que ela sempre acordava no primeiro e que continuava quieta até não suportar mais de excitação, às vezes demorava, às vezes não conseguia chegar até a base das costas. Cada noite uma surpresa. E sempre parecia ser a primeira vez. Ele sempre tinha vontade de repetir de novo e de novo.
Ela conhecia de cor o trajeto que os beijos seguiriam. Primeiro o ombro, subia para o pescoço. Beijos suculentos e molhados, ora pequenas mordidas, ora beijinhos suaves. Depois o outro ombro e finalmente cada centímetro da costa, descendo em direção as nádegas, parando na cintura para uma avaliação da área. E o corpo dela arrepiando, tremendo de expectativa, como na primeira vez em que acordara daquele jeito e ele mandara que ela ficasse quieta e sentisse.
Aliás, sempre tinha sido assim. Ele a tinha ensinado a sentir. Gostava de pensar que ele tinha sido o primeiro homem de sua vida. Não que fosse verdade. Mas era. Fora ele quem trouxera aquela sensualidade para seus dias. Fora ele quem mostrara que cada parte milimétrica do corpo era capaz de despertar desejo, de dar e sentir prazer. Aquela exploração de pés, braços, cabelos, dedos, unhas. Aquele sexo completo que envolvia tudo, inclusive a alma, era ele quem tinha ensinado.
E agora ela estava ali, novamente numa madrugada com ele. Experimentando. Gostando. Querendo, mas impossibilitada de ter. Haviam tido uma conversa muito franca antes da noite começar.
- Não posso mais suportar ver você partir – ela havia dito. Já tinham acontecido muitas noites assim.
Tinham períodos de marido e mulher: mesma cama durante meses. Tinham períodos de amantes: noites maravilhosas em que ele ia embora pela manhã. Tinham períodos de amigos: semanas com apenas alguns telefonemas e noites de distância. Por que ela contava a ausência dele pelas noites?
Era de um período de amigos que eles estavam saindo, matando saudades. Ela havia pensado muito durante sua ausência. Não suportava mais paraíso e inferno, inferno e paraíso. Era como não saber viver. Estava cansada daquilo. Queria um pouco de segurança. Talvez fosse fase. Talvez TPM. Mas hoje ela decidira, queria decidir alguma coisa e seria aquilo: Ou ele ficava, ou não voltava mais. É verdade que tinha muito medo. Que nesse um mês de distância sentira saudades, mas acostumara-se a não tê-lo, precisou acostumar-se para não sofrer. E agora ele ali, mordiscando-lhe a panturrilha seguindo em direção aos pés para a massagem que ela ensinara. A massagem onde cada ponto pressionado seria capaz de enlouquecer um ser humano. Era injusto que ele estivesse fazendo aquilo e ao mesmo tempo, ela pensava, era uma despedida.
Não sabia que atitude tomar, segundo ele, estava nas mãos dela. Des-tomar uma decisão refletida e repensada era difícil, principalmente para ela. Mas lá estava ele, olhando-a como a perguntar até onde ela iria com aquela bobagem.
- Não posso decidir, quero saber o que você diz. – Ela disse e ele sorriu, um sorriso bem feliz, que a assustou. Estava bem preparada para vê-lo ir. Na realidade, tinha mais se preparado para vê-lo ir do que ficar.
Essa história de distância começou desde uma vez em que ela dissera que se acostumaria fácil a vê-lo sempre por perto e que temia isso e que era perigoso. Ele dissera que também não queria casar e que adorava sua liberdade. E essa história vinha-lhe a cabeça sempre que pensava que gostaria de vê-lo e ama-lo todos os dias, nas pequenas coisas. Ele não queria casar e era baseado justamente nisso que ela tinha se preparado para vê-lo ir, de vez.
Ele continuava sorrindo, um sorriso que ela não entendia.
- Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Diga ao povo que fico – Aí ela lembrou: ele era professor de história e nada seria tão simples, sim ou não. Tinha que haver uma surpresa.
- Sério? – ela sorria, ainda restava um certo receio que fazia seu coração disparar, ou seria a massagem que estava fazendo efeito sobre o corpo?
- Não viveria mais sem o gosto da tua pele. O som do teu riso. E, principalmente, sem as nossas madrugadas – um sorriso sacana iluminava-lhe o rosto.
Ela o puxou para si e dedicou-se a fazer o que mais gostava: provoca-lo. Até ouvi-lo dizer que ela era louca, que ela o enlouquecia. O que no fundo, no fundo, era só o que ela queria. Ouvir aquilo sempre. Todas as noites.

Márcia Cristina Lima
Março de 2001

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um conto novo e velho

É simples, quis deixar a temática dos toques, e exterminar a dos sentimentos.
Sinceramente não espero que gostem, mas leiam e reclamem bastante heheh


Obra de arte

Contemplei seu corpo nu sobre a cama. A luz fraca do abajur por trás dela fazia-a mais um lindo espectro do que uma figura real. Deitada de bruços como quem descansa de grandes emoções. Toquei devagar a pele macia das costas, marquei com o dedo o contorno da espinha, nenhum suspiro. Tentava imprimir seus traços nos meus dedos, como se depois pudesse ser capaz de transportá-la para uma tela. A textura branca da pele, a maciez da carne, o perfume delicado que invadia todo o ar.
De novo comecei minha inspeção, como que para ter certeza de que ela realmente estava em minha cama, nua, inteiramente exposta a mim. Toquei devagar a planta dos pés, subi tornozelos, panturrilha, joelhos, maravilhosos e macios joelhos. Cheirei cada centímetro de pele, ansioso para guardar em mim aquela lembrança olfativa. Coxas, quadris, costas, braços, roliços e firmes, mas sem músculos, deliciosamente femininos. Toquei devagar os cabelos e os afastei do rosto, carinhosamente, só nesse momento vi seus olhos abertos.
Tomei um assusto. Não os tinha fechado? Não tinha eu fechado-lhe os olhos para que não me olhasse?
Não me encarasse com aquele ar de horror com que todos me vêem.
Segurei agora com mais firmeza a carne de seu corpo, era uma questão de minutos aproveitar o calor que ainda restava, os olhos sem vida ainda me encaravam, me aterrorizando. Ela não tinha mais o poder de me machucar, eu tinha tirado esse poder dela. Não poderia mais me ofender, com seu ar de nojo e seu pavor no olhar.
E eu que gostara tanto dela, que tinha aceitado aquele encontro só porque ela insistira muito. Eu sabia, tinha certeza, que ela acabaria me obrigando a fazer isso. Eu odiava, mas elas insistiam, imploravam, queriam sempre me ver. Eu insistia, implorava não queria que corressem o risco, mas não. Tudo tinha sempre que ser do jeito delas e quando me olhavam com aquele ar de rejeição, de nojo, de medo. Como se vissem um monstro, uma raiva tão profunda crescia dentro de mim, que me obrigava a isso. A calá-las, subjugá-las, obrigá-las a fazer o que me prometiam nas salas de bate-papo.
E sempre as fazia cumprir suas promessas. Daqui a pouco tenho que escondê-la junto das outras. Mas só daqui a pouco, quando o corpo enrijecer de uma maneira que eu não possa mais suportar, quando ficar tão frio que me assuste o toque. Terei que cavar novamente aquele buraco no fundo do quintal e esquecer que um dia a tive. Esquecer que a amei de verdade. Mas qual minha culpa se era sempre os olhos delas que me transformavam no monstro que sou?


Márcia Lima

domingo, 30 de janeiro de 2011

Duas histórias em uma hehe

Espero que gostem, pq eu escrevi duma vez é novidade pra mim....


Desgostar – do verbo deixar de gostar de, ou do significado não gostar de...

Não, eu não gosto dele. Não gosto do jeito como ele fala, nem dos assuntos que ele aborda. Não gosto da maneira como ele cria as frases nem dos conceitos que ele tem da vida e das pessoas. Execro cada pensamento machista que externa com uma força absoluta, quase bruta. Não gosto da voz, muito menos do sorriso cínico e superior que ele ostenta. Os cabelos, então, são um horror.

Mas tem uma coisa no braço, sabe? O formato, a força, os músculos. Que, nossa! Me deixa nervosa. Não sei. Não sei que hipnotismo é esse que me dá quando ele chega em mangas de camisa e eu começo a suar frio.

É um tal de músculo que brilha e se movimenta pra um lado, músculo que brilha e se movimenta pro outro porque ele num sabe simplesmente falar, ele fala e gesticula. Além dos músculos, ainda tem a pele que os recobre que é como se fosse chocolate branco, limpa, clara e doce, quer dizer, minha boca saliva de mirar esses braços.

E isso é outra coisa que eu odeio.

Odeio como olhar pra ele me acende, como se meu corpo inteiro se eletrificasse. Odeio isso! Porque preciso de força hercúlea para manter os olhos longe e ainda por cima não agir como as outras idiotas do condomínio que abominam a banda e seus ensaios mais quando ele chega acatam suas reivindicações como se ficassem hipnotizadas por seus atributos físicos.

Não posso me dar esse luxo.

Sou a jovem síndica reeleita por três anos com absoluto sucesso, por conseguir conciliar vizinhos, por em dias as contas e principalmente, principalmente, até hoje manter a paz entre os mais diversos tipos de pessoas por metro quadrado, tudo sob controle.

E agora essa tentação em forma de músculos perfeitos e sorriso cínico quer fazer meu cérebro parar apenas por que alguns desejos incômodos do baixo ventre se intensificam de unicamente de olhar para um corpo bonito. Não, eu o odeio, odeio, odeio.

- o que você quer? – a pergunta nada educada saiu como se pusesse em palavras todos ódios escondidos.

- nada de sorriso polido pra mim? O que foi que eu fiz? – o charme desgraçado que ele deve ter ensaiado horrores de tempo junto com todos os acordes gritantes daquele barulho que ele chama de música.

- vou fazer inspeção na área da piscina, to ocupada, e sua reivindicação ainda está sendo estudada pelo conselho do condomínio. Não podemos ampliar sua permissão para ensaiar aos sábados.

-Fala a verdade, você não quer me dar permissão. Já conversei com os outros membros do conselho.

Idiota, achando que conhece meu trabalho melhor que eu! Odeio essa camisa, odeio como ela se gruda no peito, como se fosse um boyzinho a venda na esquina, odeio isso.

- entenda que essa é uma questão que precisa ser bem avaliada. Pois preciso de argumentos para convencer os outros condôminos que vocês esta no seu direito.

- se estou no meu direito é só dizer isso. Sei que você gosta de fazer parecer que nossos direitos são concessões suas mas..

- eu gosto de que...? – a indignação latente pula fora, filhinho duma grande ... - Você ficou maluco?

- é sim, você age como uma rainha dando concessões de direitos e conciliando conflitos como se pudesse mandar em todos nós....

- eu apenas faço o meu trabalho e se algumas pessoas ouvem o que eu digo é justamente porque... – pronto ele tinha vencido a batalha, não conseguia mais pensar. Estava a ponto de cometer o pior dos erros, aquilo que vinha sonhando com uma freqüência absurda nos últimos meses. A violência pura e gratuita surge quando você perde os argumentos. Meteu a mão na cara dele. O tapa foi seguido de reação ainda mais violenta... um agarrão e um encontro de bocas desesperadas .

Era isso! Enfim tinha chegado ao inferno e estava se queimando, sabia, sentia a pele inteira borbulhar como se fosse cera em fogo brando. Sentia o baixo ventre se manifestar desesperado como a um bom tempo não se manifestava.

Perdera a noção de tudo, o caminho até a piscina tinha aquele corredor onde poucas pessoas passavam naquela hora da noite, e aquela pouca luz que ela já tinha pensado em corrigir.

Sentiu as mãos brincarem em suas costas, agarrarem os cabelos como se ele também quisesse aquilo ou como se quisesse simplesmente subjugá-la ao beijo e ao corpo. As pernas tremiam e na cabeça todos os porquês tinham evaporado. Só a vontade insana de sentir aquela pele lisa de chocolate branco, sentiu quando os braços a agarraram com mais força e a pressionaram para mostrar o quanto ele estava gostando do beijo, quase como se atendessem seus desejos pois ela percebeu que se pendurava no pescoço dele como a maldita mulher que não beijava há muito tempo que era. Idiota. O pensamento a consumiu.

- o que você pensa que tá fazendo – idiota. – afinal quem era idiota? Ela, Ela era idiota, queria o corpo dele. Mas a merda era que ela não o respeitava, pelo contrario. Como podia isso?

Ele sorriu, um sorriso cínico e filho da puta de superioridade.

- Vamos lá, você fica bem melhor nesse papel. Vem cá, ele a puxou de novo, dessa vez pelo quadril e esfregou seu contentamento nela, quase em sua cintura precisaria carregá-la pra conseguirem concretizar qualquer coisa. Enlouquecera. Era isso queria, queria desesperadamente sentí-lo dentro dela. As pernas enfraqueceram, a cabeça tonteou e se nunca mais tivesse uma oportunidade como essa? A luta mortal entre o corpo e a mente não durou dois segundos. E a pele venceu. Ela o queria e pronto. Retomou a batalha dos beijos, como se eles nunca tivessem sido interrompidos.

- isso, - chegou a ouvir ele murmurar enquanto ela positivamente descobria que a pele do pescoço não era chocolate, mas muito mais saborosa e muito, muito melhor que chocolate. Quente, macia, deliciosa. Procurou desesperadamente o fecho da calça dele, e mais sentiu do que viu ele sorrir de encontro ao seio que mordiscava e lambia como se também estivesse se satisfazendo numa delícia gastronômica. Não viu e nem se preocupou em perguntar como as alças da camisa que usava tinham sido baixadas, o mais importante era a boca, sugando desesperadamente os seios e nossa, ela queria aquelas mãos em cada pedacinho de pele exposta.

Finalmente encontrou o membro, duro, salivando por ela, ouviu um gemido e uma outra força se apoderou dela, além da fome, da raiva, além do desejo, de novo, outra vez, o poder. Segurar o cetro do poder, e mostrar com gestos como gostava de ter poder sobre tudo. Sentiu ele contorce-se, gemer e por momentos também esquecer tudo. Até que a brincadeira acabou! Talvez ele não estivesse mais agüentando e precisasse mostrar que também sabia jogar bem aquele jogo de controle. Empurrou de encontro a parede, achou a barra da saia fina e a levantou de uma só vez até a cintura, enfiou a mão entre as pernas dela e sentiu o calor da necessidade que ela tinha.
Por um momento, ficaram na estimulação de guerra tocando, sentindo, ouvindo os gemidos. Quando ela não suportou mais – me dá, eu preciso – era um murmúrio uma rendição.

- seu prazer e desejo é uma ordem majestade – ele disse com o mesmo sorriso de sempre, puxou as pernas com as duas mãos e a montou sobre si. Em algum lugar dentro dela, algo explodiu como sempre achou que explodiriam as primeiras bombas de uma guerra bem perto, mexeu-se mais ainda, porque queria vê-lo rendido, mesmo que soubesse que não haveria vencedores ali. Mexeu-se nele muito rápido, porque queria uma justiça imediata. Mas ele a segurou - Não, não - era um gemido, um pedido, ele implorava - ainda não.

Foi quando ela teve certeza que mandava ali, e comandou o ritmo frenético novamente. Em questão de minutos, ele a agarrava com mais força e em seguida punha as mãos na parede como se precisasse de auxilio pra ficar de pé.

Ela escorregou pelo corpo dele, saiu de perto, arrumou a saia, disse algo sobre ainda estar pensando a respeito da ampliação do seu horário de ensaios e saiu de perto rápido batendo o salto, fugindo do local do crime. Onde tinha largado, seu respeito.

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Construa esse sonho comigo
Segurança – de cobrir todos os espaços, de não deixar nenhuma ponta solta

Tinha sido a brincadeira mais sem graça que já trocara com alguém e achava que eram amigos. Achava que todos aqueles ingressos gratuitos para shows pudessem ter feito com que o segurança do prédio fosse ter por ele uma simpatia quase amiga. E no entanto aquela noite, o segurança esperara todos entrarem na van para gritar que o corredor da piscina tinha sido iluminado quase como um sinal de que ela o odiava mais ainda agora do que antes.

Só pensar no corredor da piscina uma coisa viva dentro dele se mexia e era capaz de recordar a maciez do tecido da roupa debaixo dela, renda e cetim, ele nunca esperara por isso.

Nunca esperara mais do que um ou dois tapas, nunca esperara a força com que ela se tinha agarrado ao pescoço, nem o tufão em que ela se transformara de encontro ao corpo dele. Esperara sim, esperara que a permissão de ampliação dos horários de ensaio da banda fosse negada, porque sabia que além de odiá-lo, ela odiava a si mesma agora.

Mas era uma odiosa controladora deliciosa. De lembrar, os joelhos ficavam bambos de novo. O sorriso se manifestava, tinha sido uns momentos muito, muitos.... não, não tinha palavras para aquilo. A rapidez, a fome, ela quase conseguira ser surpreendente. Duas coisas ainda estavam vivas em sua pele depois desses dias, a marca da mão no rosto ainda ardia, ela sabia bater, e um vinco no pescoço feito pela unha que só ardera ao tomar banho frio aquela noite para parar de pensar e esquecer aqueles momentos ensandecidos.

Insanidade, ele agora era acometido da insanidade de pensar em que roupas ela usaria pra dormir, nunca tinha pensado nisso antes, nunca tinha pensando nem sequer em saber onde morava a megera menina que comandava o condomínio como se fossem seus brinquedos Lego.

Todos em geral a detestavam. Ele e a banda, recém-chegados, eram só mais alguns. Mas todos em geral tinham certeza que ninguém mais com aquela postura de “sei- o- que- estou- fazendo-não-se-meta” era melhor para controlar a todos. Dos mais irritantes idosos até as mais irritantes pestinhas a respeitavam. Ele era o único a rir daquela postura. E percebera desde o principio que tirar o poder dela era um passa-tempo divertido. Não, não fora de passa-tempo que brincaram àquela noite no corredor da piscina, até agora se perguntava o que tinha acontecido ali. Porque ainda sentia o membro enrijecer de apenas contemplar aqueles momentos.

A menção sobre luz no corredor, que a todos pareceu simplesmente maluquice do segurança, pra ele fazia todo o sentido. Nunca mais, nunca mais encontros fortuitos, ” nunca mais serei pega de surpresa por você num corredor semi-iluminado”. Ah! Como aquilo o entristecia e até o deixava saudoso. Começou a sonhar outros lugares do condomínio, talvez a escada de serviço, talvez a parte mais distante da garagem. Pois ele sabia que gostaria de encurralá-la de novo, de pensar nessa palavra, o fogo dentro dele ardeu ainda mais.

E de repente se perguntou onde ficaria a postura dela, se todos soubessem de sua capacidade de deixar um homem louco com um tapa? Se o segurança sabia, logo contaria ao porteiro e do porteiro a diante não era nada. Ficou preocupado, o que poderiam ter visto, nunca tinha parado pra pensar ou memorizar quais as áreas comuns do prédio tinha câmeras. Se eles tivessem sido observados?

A excitação aumentou, de imaginar as pessoas olhando o que eles tinham feito. Riu consigo mesmo de os funcionários a terem desmascarado. Em seguida, o riso morreu. Como ela manteria todos na linha se tivesse que lidar com a fofoca. Ela sempre tinha lidado com a fofoca. Era odiada por quase todos. E ele? O que diria? De uma hora para outra quis saber exatamente o que o segurança vira, o que o segurança adivinhara? De repente saber que aqueles momentos que eram só seus tinham sido filmados ou que tinham sido alvo de palavras alheias lhe deu ânsias. Não, era melhor que ninguém soubesse de nada. E ele ainda teria a chance de encontrá-la em outro corredor.

- fala aí amigão, tem ingressos pro show da semana que vem, ta de folga?
- olha eu até to querendo ir, mas sabe como é salário de pobre (isso era uma chantagem? Ou apenas uma observação)
- ei cara, vai com a gente, ponho teu nome na produção, nossa consumação é parte do cachê... (estava cedendo a chantagem? Ou fazendo um favor pra um conhecido?,)
- olha idéia boa. Vou pensar direito e te falo, e aí como foi ontem a noite.
- cara, muito bom, e o trabalho aí pesado, muita TV pra assistir? Muita fita pra guardar?
O segurança deu uma gargalhada gostosa – Cada coisa que a gente vê nessas câmeras – era uma afirmação, ou uma confirmação? Começava a ficar nervoso.
- ou você presta atenção e conhece todo mundo, ou não entende nada do que vê. Cada câmera uma história diferente. Olha aí no elevador dois, a dona do 307 não suporta a filha adolescente do 506, mas acho que é porque ela já viu o marido olhando indecentemente pra menina. Sabe?

Pronto logo o segurança ia começar a falar sobre ele e a síndica no corredor mal iluminado.

- Vocês guardam as gravações, não guardam?
- Guardamos sim, ali naquele armário, a Dona ...
- Felipe, ajuda aqui – ouviu-se uma voz da garagem
- Oi, dona Angélica... Oi, dona Andrea?
- ajude a senhora a levar essas compras lá em cima Felipe – pedido era quase ordem
- mas... mas dona Andrea to no monitoramento
- não se preocupe, eu fico até você voltar – o tom era um misto de gentileza e comando.

Ele ouviu a conversa, o armário já aberto, prateleira da câmera 15 tinha umas trinta fitas.

Ela entrou, ele por minuto congelou no lugar, congelou o semblante, congelou a batida do coração.

- se você está procurando a fita, eu já dei fim nas imagens. Vim devolvê-la pro lugar – ela dizia numa voz que não entregava nada, como se estive falando sobre o tempo. Retirou a fita da bolsa e posou em cima da mesa.

- você é rápida, né? Síndrome de criminosa?
- não apenas senso de preservação, de qualquer forma, não tinha nada lá com que você ou qualquer pessoa pudesse se refestelar.
- refestelar? Não, só quem pode ter prazer é você, não é?
-ou eu muito me engano ou você não ficou sem gozo aquele dia.
- e eu pensando que deveria protegê-la – disse quase num suspiro.
- não preciso que ninguém me proteja, sei exatamente o que devo e o que não devo... ele tocou os cabelos, hoje soltos, e ela calou
- eu sei que sabe, você sabe muito mais do que poderia imaginar...
- me solte,
- não to segurando você, mas se quiser posso fazer, com muito, muito prazer... – percebeu que ela tremia – você quer não é, quer que eu te pegue? Como? Devagar? – ele a puxou pelo braço depositou a bolsa em cima da mesa.
Sentiu a maciez da pele do braço dela, percebeu que ela esperava, como se com medo de fazer qualquer movimento.

- ta com medo de mim? – ele perguntou sério e levantou o rosto pra olhar, eram coisas que não tinham sido feitas da última vez, era quase como um cortejo. Olhar nos olhos, admirar, ela tinha lindos olhos castanhos, e uma boca deliciosa, que ele já sabia o gosto, mas agora descobria o formato.

- não, não tenho medo de você, acho melhor você ir, o Felipe... – as palavras morreram, ele a abraçou e corpo inteiro reagiu imediatamente. Fome. Desejo. - ... me solte – ela tremia na tentativa de manter o controle. Sempre o controle.

- a Dona Angélica não é a senhorinha idosa do prédio D, último andar? Temos uns minutos ainda... – ofegava, com o coração a mil.

- vai ser assim de novo, em minutos? – um sussurro que não parecia ela, quase macio, quase meigo, quase a menina e não a megera.

- você sabe que não temos muito tempo – mas ele via pela blusa que ela já estava excitada, viu o bico dos seios quase romperem o tecido, abriu os primeiros botões,ouviu ela ofegar, encontrou um sutiã lindo, não pediu licença abaixou a boca e roçou com a língua o tecido, viu a pele dela arrepiar e sentiu seu membro vivo em busca de satisfação.

Ela enfiou as mãos nos cabelos dele e suspirava, suspirava. Ele continuou a beijar e chupar os seios enquanto as mãos já procuravam a barra da saia jeans, sentou-a na mesa mais próxima. Enfiou-se no meio das pernas dela, numa tentativa de fazer tudo ao mesmo tempo.

Não dava, não dava pra entrar nela e chupar os seios daquela posição, e era isso que ele queria, queria estar dentro dela e não parar de brincar com a boca nos seios, puxou a cadeira mais próxima. Sentou com ela no colo, agora sim, sentiu ela em busca do seu membro, que já quase rompia o tecido sozinho. Sentiu ela brincar um pouco com as mãos enquanto se satisfazia ainda mais nos seios, segurando, e apertando um enquanto chupava e mordiscava o outro. Sentiu ela se posicionar e sentar em seu membro, e ambos gemeram juntos, apesar da velocidade com que iam, havia uma certa diferença dessa vez, como senão fosse mais um jogo de poder, mas sim de prazer, agora, os corpos já se conheciam e não pediam mais permissão aos donos eram apenas viajantes em busca de prazer.

Remexeu-se com ela na cadeira, mostrou-lhe o ritmo, e ela se contorcia, rebolava, remexia. Ele a segurava pela bunda, enquanto arremetia, ela o puxava pelas costas como se pudesse enfiá-lo em si mais do que a própria gravidade já fazia. Em mais alguns minutos, juntos, como se fosse uma conversa combinada sem palavras, gemeram alto juntos. Ela quis levantar imediatamente, mas ele não deixou, a segurou um pouco mais, e pediu. – com delicadeza por favor.
Ela ficou, um ar meio atarantado como se realmente agora voltasse a realidade, tentou levantar de novo – você precisa ir. Felipe pode chegar.

- Eu sei, eu sei

- ele acha que você me persegue, disse a ele que discutimos por causa da lâmpada do corredor da piscina.

- ele acha? Você lha dá satisfações? – parecia estranho aquilo, mas ao mesmo tempo ficou inseguro, curioso, enciumado.

- a câmera não mostra o corredor por causa da pouca luz, ele me viu saindo do corredor e veio me perguntar porque eu tinha demorado lá dentro... eu disse que você estava me alertando sobre o perigo da lâmpada e discutimos.

- ele não percebeu nada?

- não, ela abaixou a cabeça, havia algo de muito diferente nela hoje, como se tudo que ele sempre imaginara sobre ela fosse mentira, como se tudo que lhe tivessem dito sobre ela estivesse apenas mostrando uma parte da pessoa e não ela toda.

- eu posso ligar pra você? – ele se viu perguntando era uma pergunta estranha para se fazer a alguém com quem se tinha tido encontros tão íntimos.

- todos os condôminos têm meu número. –

- você sabe em qual sentido estou falando. Posso? – era estanho, ele ainda estava ali sentado na cadeira com o pau de fora, embora ela já tivesse levantado e arrumado a saia e a blusa, para ele aquele ainda era um momento íntimo. Um momento íntimo vivido dentro da central de monitoramento do condomínio. Mas era.

- o que você acha que pode acontecer? Vamos namorar ? – ela disse isso como se abominasse quem fizesse essas coisas fortuitas e mundanas como namorar.

- se quiser podemos apenas desfrutar de mais tempo numa cama. – viu ela ficar imediatamente vermelha, como ela ainda podia ficar vermelha depois de tudo? – mas outra coisa o incomodou - você não faz objeção a transar comigo, mas namorar, faz, porque?

- eu não gosto de você ela disse de chofre como se não houvesse nenhum problema nisso.

Esse é um dos quinze contos que vão compor o livro que estou tentando lançar, preciso de ajuda de vcs... quem quiser colaborar pode votar no http://palavreandosentidos.blogspot.com/2011/07/comecou.html
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Construa esse sonho comigo

domingo, 23 de janeiro de 2011

Só pra não morrer de tédio

Tanta coisa para fazer, tanta coisa para a aprender e eu sem respirar.
Só pra deixar claro que isso é um sopro de vida na minha imaginação e libido, lembro de quando me vingava por prazer em sonho....

A caminho

Hoje estou calma, pela primeira vez na vida. Nenhum traço daquela ânsia costumeira que acabava com o meu estômago. Não há nada mais maravilhoso do que isso. Do que ter me livrado da ansiedade. Meu estômago não é mais aquela massa borbulhante de ácidos, nem minha pele aquele monte de cacos descamando. Meus cabelos até brilham. Essa temporada aqui me fez muito bem. Estou calma, meus lábios não descascam e minha cabeça dança livre, sem preocupações. Calma como nunca estive em toda a minha vida.
Talvez seja apenas um traço de loucura, daquela loucura que o juiz não quis aceitar como defesa.

“Alguém que faz o que ela fez. Não é louca...”

Realmente nunca me achei louca, sensível talvez, estouvada e esquecida às vezes. Louca, nunca. O juiz concordou, não sou louca.

“Alguém que faz o que ela fez. Não é louca, é má”

Foi a primeira vez que gostei de ouvir alguém dizendo que eu era má. Ser mau virou, para mim, o equivalente a ter super-poderes. Eu tinha me tornado poderosa agora. Tinha conseguido acabar com a minha ânsia, com a angústia. Tinha vencido até o estômago que acabava comigo aos poucos, que sempre me trazia aquele gosto amargo de submissão à boca. Eu sou má, e pela primeira vez, fiquei feliz em ser má.
Por mais que todos tenham me condenado, minha consciência e meu corpo dizem que estou certa. Que não havia nada mais certo a ser feito do que o que eu fiz. Pela primeira vez eu estava tão certa de algo que meu estômago concordava comigo.
Nada mais pode me angustiar, por que sei qual é o futuro e não está mais em minhas mãos decidir nada. Tudo o que eu tinha para decidir, tudo o que eu tinha para falar e fazer, está feito. E, considerando o que o médico disse, muito bem feito.

“Trabalho de profissional”.

Não era de se admirar que uma instrumentadora cirúrgica soubesse onde, como e que instrumento usar para conseguir exatamente o efeito que eu queria.

Nada mais me angustia, vomitei todos os monstros depois daquela sessão. Devo ter vomitado todos os ácidos, porque meu estômago nunca mais me incomodou. Nem se contorceu, nem doeu. Nem quando o juiz disse qual era a minha sentença, nem quando comecei a comer essa podridão que eles chamam de comida. Nunca mais azia, nunca mais indigestão. Até passei a me alimentar melhor. A pele hidratada, os lábios vermelhos. Estou viva. Não por muito tempo, mas viva, feliz. Meu estômago não me controla mais.
O gosto amargo de submissão acabou. Descobri que adoro ser má. Que as minhas companheiras de cela acreditam que meu sorrisinho dia após dia, não é loucura, mas maldade. Eu sou a própria imagem do demônio-mulher. Me descobri bonita aqui, sem maquiagens, sem hidratantes. Só uma beleza vinda de dentro, da tranqüilidade. A cara de menina submissa tinha sumido, acho que a vomitei junto com os ácidos naquela tarde.
Quando o juiz disse que eu era má me senti recompensada. Me senti mais eu, ele estava falando de mim. Eu sou má. E quis gritar para todos que um dia me subestimaram: “Eu sou má. Perigosa. Que ninguém mais se meta comigo”.
Nada mais daquela menina boazinha, que na escola apanhava e nunca dizia nada. Nada mais daquela menina controlada que sempre dizia não para os namorados, mas não podia se negar para o tio, ou para os primos. Nada daquela menina que era controlada por todos naquela família. Nada daquela garota em que o marido batia e depois dizia que amava, mas que transava com a médica loura oxigenada todas as tardes. Nada, eu sou má.
E o bisturi mostrou e escreveu minha maldade em cada pedaço de pele da loura que me chamava de imbecil, mas escolheu para comer o homem que tinha casado comigo.
Brilha felicidade em meus olhos quando acordo de manhã e penso no meu estômago calmo e controlado e sinto a minha pele macia e vejo meus lábios bonitos e delicados. Me sinto má. Bela, saudável e má.
E ser má tinha sido o meu destino desde a infância, apenas não me deixaram ser. Me ensinaram: mulher se submete, mulher não faz, mulher não ama, mulher não isso, mulher não aquilo.
Mas eu fui má e marquei com maldade meu nome em cada pedaço de pele da loura que me humilhava na frente dos colegas do hospital. Mas eu não a matei. Esse pecado eu não cometi. A cara dela não é mais a mesma. Ele nunca mais vai admirá-la. Ele também não pode mais ver nada. Nem dizer que não sei isso, nem aquilo. Mas ele vai viver, por quanto tempo o corpo forte resistir e espero que seja por muito tempo.
Por que eu vou morrer daqui a alguns dias. Eles não sabiam o que faziam quando me sentenciaram àquela injeção. Eles me deixaram livre. Livre de tudo. De saber como ela vai se esconder nas ruas, com medo de falar com alguém, com medo de cometer qualquer outro adultério. Livram-me de saber como ela vai ficar louca antes dos quarenta anos, sem a beleza da qual tanto se orgulhava. Me livraram de vê-lo vegetando. Estou livre. É por isso que estou calma e tranqüila e não poderiam ter feito nada melhor por mim. Com a morte não há consciência.
E Deus não vai poder me castigar. Não mais do que já fez me dando a vida que me deu. Afinal, eu sempre fui uma boa menina. Uma boa mulher, uma boa enfermeira, e por mais que todos me condenem meu corpo me diz que eu estava certa. Meu estomago não reclama mais, e eu até estou bonita. Ao menos serei um belo corpo a ser velado.

Márcia Cristina Lima
Junho/2001