quarta-feira, 10 de março de 2010

A vida nova que nos inspira

Na semana passada recebi a visita de um anjo, que por sinal ainda está lá por casa. Fiquei tão tomada de felicidade que acabei escrevendo uma ode ao amor inabalável. Sei que criei o blog para divulgar os contos, mas que é esse amor é tão grande, e tão maravilhoso que quero anunciar ao mundo.
Espero que gostem!!

Grow Up

Racionalmente, quando você chega a uma certa idade (geralmente depois dos trinta), já pensa com medo sobre ver nascer, ou crescer ou acompanhar o crescimento de uma criança. Você pensa nervosamente em noite insones, em doenças sem nome, em preocupações eternas. Em seguida, surge a imagem de uma criança de cinco anos, correndo nos lugares inadequados, fazendo mal-criação na rua, gritando por alguma coisa. Você quase se enxerga no lugar da mãe ou pai nervoso sem saber exatamente o que fazer, sem saber que desculpas dar. Além disso, você acompanha com dor humanitária no coração o mundo cada dia mais animal em que vivemos, onde pessoas sem nenhuma noção conseguem maltratar ou até assassinar crianças inocentes.
Depois, você lembra de como era quando adolescente, de como vivia contra todas as regras (ou não vivia) e recorda que a adolescência começa cada vez mais cedo, que as crianças estão cada vez mais erotizadas, que toda aquelas angustias sobre espinhas e amores não correspondidos eram simplesmente o inferno para você que viveu cada uma dessas horríveis sensações. Como ver alguém passar por tudo isso sem poder fazer absolutamente nada? Considerando que você conseguirá um dia ser próximo o suficiente para acompanhar cada uma dessas mudanças, e não ficará louco de ciúmes quando vir o ser que você acompanhou crescer, amou desde a infância dedicou a ele seus melhores sentimentos, se fechar em si e o que é pior dizer com todas as letras que você simplesmente não sabe, nem entende nada. Alguém já havia dito isso, mas é realmente catastrófico e dolorido ser excluído dessa maneira, pelo único ser que você achou que nunca o rejeitaria.
Dessa forma, é simplesmente desanimador pensar em ter um filho. É frustrante achar que não é possível dedicar todos os seus sentimentos a um cachorro fiel, que invariavelmente não fará você sofrer a não ser que morra e simplesmente ele é capaz de morrer, e quando o fizer seja por velhice ou acidente, vai quebrar seu coração.
Você pensa, pensa, pensa e reflete sobre todas as linhas escritas na coluna do contra na equação de ter um filho. No fim, chega à conclusão que estar só e não ser obrigado a coisas absurdas como ter três empregos para manter outra pessoa além de você mesmo é o caminho mais seguro da vida adulta.
Então, num belo dia, alguém coloca em seus braços, vindo sabe-se lá de onde, um recém-nascido. Quando você menos espera se pega com coração transbordante de um sentimento completamente novo, que inclui proteção desmesurada, carinho exacerbado, irracionalidade crônica, e vira e mexe um medo sem tamanho o toma. Você se pega pensado em procurar outro emprego, você se vê sonhando com confortos e comodidades que nunca quis pra si mesmo. Aí você lembra de tudo que as suas amigas casadas disseram sobre ter um filho e aquele sorrisinho cínico que você tinha no rosto achando que era inveja da sua livre vida de solteira morre. Porque afinal elas até podem ter inveja de você poder sair quando quiser, mas o que elas têm em casa, nem se compara com nada que você vai encontrar na rua.
Então numa bela noite você olha pro rostinho dormindo, dessa criaturinha, que nem chega a ser carne da sua carne, mas é parte de você porque seus sentimentos por ela são tão indescritíveis e gigantescos, e canta sem perceber e sem medo de ser rejeitado ou cafona
“Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar, em cada despedida eu vou te ama. Desesperadamente..”.
e, melhor, descobre que é mais verdade agora do que nunca tinha sido antes.

À minha afilhada recém-nascida, Vivian Maria.